Governo Regional prepara plano estratégico para produção de cana-de-açúcar

17 Jan 2016 / 20:27 H.

O presidente do Governo da Madeira anunciou hoje que o executivo está a elaborar um plano estratégico para a cana-de-açúcar no arquipélago, uma cultura que teve, em 2015, uma produção na ordem das 9 mil toneladas.

"Já está em elaboração um plano [estratégico] para cana sacarina da Madeira para salvaguarda dos interesses dos produtores, dos engenhos e dos produtos derivados da cana", disse Miguel Albuquerque num encontro com produtores do setor que teve lugar no Engenho da Calheta, na zona oeste da ilha da Madeira. O governante considerou que este plano estratégico "é importantíssimo, sobretudo num ano em que a região atingiu uma produção de quase 9.000 toneladas na cana sacarina, em que a venda do rum subiu 17% e os licores 5%". "Na vida, como nestes setores ligados a agricultura, indústria e comercialização, é fundamental ter orientações estratégicas para médio e longo prazo, para não sermos apanhados desprevenidos caso haja uma flutuação repentina de mercado", argumentou o chefe do executivo madeirense.

Miguel Albuquerque assegurou que "o governo [da Madeira] vai fazer todo o possível e impossível para continuar a poiar os produtores, os engenhos que fazem a transformação do produtos e distribuição dos produtos que têm 'Marca Madeira', que são de excelência para introduzir no mercado nacional e internacional". Por seu turno, falando aos jornalistas, o secretário regional da Agricultura e Pescas, Humberto Vasconcelos, complementou que este plano estratégico "vai começar a funcionar este ano", esperando que esteja "concluído e aprovado" em fevereiro.

Este responsável indicou que será um instrumento que visa "uma estratégica consolidada para o setor", garantindo o preço, a qualidade e o escoamento. "O objetivo do plano é pôr a oferta muito idêntica à procura: queremos que os produtores tenham escoamento garantido e haja o mínimo de intervenção do Governo para acudir a algum excesso de produção", especificou, mencionando ser "ainda é possível crescer um pouco pelo atual conjunto de engenhos que existem".

Humberto Vasconcelos referiu que, neste momento, a secretaria está a "analisar as reais condições" e a "efetuar um levantamento de todas as produções" do setor, pretendendo, entre outros aspetos, "limitar a produção, devido à qualidade da cana" e introduzir a graduação. Com a entrada em vigor do plano, "quando alguém quiser produzir cana tem de pedir autorização para não provocar o desequilíbrio do mercado", disse o governante, sublinhando que este "tem potencial para crescer" e teve, em 2015, "o melhor crescimento nos últimos 10 anos", esperando que o governo madeirense aposte em "alguma parceria" para a exportação e no aumento das vendas para o mercado nacional, baixando o imposto. Humberto Vasconcelos indicou que na Madeira existem 806 produtores de cana sacarina, vincando ser "um produto muito apetecível, com grande procura dos derivados, que o Governo vai continuar a apoiar".

Agência Lusa