Museu de Arte Contemporânea muda para a Casa das Mudas

27 Set 2015 / 10:57 H.

Conforme já noticiou o DIÁRIO,  o Museu de Arte Contemporânea da Madeira vai mudar de casa e denominação, abandonando a histórica Fortaleza de São Tiago (Funchal) para ocupar o moderno edifício Casa das Mudas, no concelho da Calheta, a partir de 8 de Outubro.

"A ideia foi dar mais condições à colecção de arte contemporânea da Região Autónoma da Madeira, que tem perto de 400 peças. O actual edifício não tem capacidade nem as condições necessárias", disse à agência Lusa a directora regional da cultura.

Carina Bento salientou que o actual espaço do Museu de Arte Contemporânea, instalado em 1992, conseguiu, "com enormes dificuldades financeiras, cumprir de forma muito correcta" o seu papel, mas não deixava de ter limitações "do ponto de vista das condições de ambiente".

"Estamos a falar de uma fortaleza, uma construção de 1614, e, por muito que adapte com ares condicionados, não é um edifício pensado de raiz para espaço expositivo no sentido de arte contemporânea", sublinhou a responsável.

Por isso, no âmbito da "aposta de descentralização cultural" do actual Governo da Madeira, este núcleo composto por obras de aproximadamente cem artistas plásticos, desde a década de 1960 até aos dias de hoje, vai mudar-se para o Centro Cultural - Casa das Mudas.

Carina Bento desvaloriza o factor distância, realçando que o novo espaço - construído com base num projeto da autoria do arquiteto Paulo David, que já foi premiado a nível internacional - surgiu numa "antiga propriedade solarenga, sobranceira ao mar, que tem as condições ideais, e foi pensado de raiz com cariz museológico, estando perfeitamente integrado na paisagem".

A responsável anunciou que o núcleo também vai mudar de nome, adoptando a designação do novo espaço e ficando assim denominado MUDAS - Museu de Arte Contemporânea da Madeira.

"Esta mudança permitiu ampliar de forma significativa a área de exposição, passando dos 428 metros quadrados na fortaleza para 1.811 metros", salientou a directora regional, mencionando que o novo espaço dispõe de nove salas distribuídas por três pisos, um auditório com 191 lugares, um centro de documentação para estudo da arte contemporânea portuguesa, serviço educativo e outras estruturas de apoio.

O novo museu também vai ter uma oferta de transporte, o denominado 'Mudasbus', um pacote que inclui a viagem de ida, com partida do Funchal, passagem pelas antigas estradas regionais e regresso. Este é um projecto em "fase experimental" pensado nos turistas, entre os quais os que chegam nos navios de cruzeiro.

Conjugar esta oferta museológica com a de outros núcleos - caso do Museu Etnográfico da Ribeira Brava, o Engenho da Calheta ("visitado por imensos turistas") e o projecto de recuperação dos caminhos reais que o Governo Regional está a desenvolver - é outro objectivo apontado.

Carina Bento mencionou que o novo espaço terá uma exposição permanente e vai ainda contar com "alguns empréstimos para enriquecer o espólio" por parte da PT, do Banif ou do Museu Berardo

Já a Fortaleza de São Tiago vai ser transformada no Museu da Arqueologia, "o que fica mais consonante com a história da sua construção", passando a contar a história do domínio filipino no arquipélago.

Neste espaço também será criado um laboratório de arqueologia, onde ficarão expostas as peças encontradas durante as obras pós-temporal de 20 de Fevereiro de 2010, na marginal do Funchal, e que, conforme forem sendo recuperadas, podem "complementar um circuito das ruínas e muralhas musealizadas".

O Museu de Arte Contemporânea da Madeira foi nos primeiros oito meses deste ano o terceiro mais visitado na região, com cerca de 7.000 entradas.

"Para mudar mentalidades às vezes é preciso partir muita pedra, mas estou confiante nesta aposta na descentralização cultural na Madeira", concluiu Carina Bento.

Lusa

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