Cólera matou 41 pessoas em Moçambique desde Janeiro

02 Mar 2015 / 11:38 H.

    A epidemia de cólera matou 41 pessoas em Moçambique, num total de 4.518 casos diagnosticados entre 25 de dezembro passado e 27 de fevereiro deste ano, anunciou hoje o Ministério da Saúde de Moçambique (MISAU).

    Segundo o diretor nacional-adjunto da Saúde Pública no MISAU, Quinhas Fernandes, os óbitos ocorreram nas províncias de Nampula e do Niassa, no norte de Moçambique, e em Tete e em Zambézia, no centro do país.

    "Continuamos em plena época quente e chuvosa, altura em que o risco de propagação de algumas doenças, como a cólera, é maior", referiu Quinhas Fernandes, num comunicado que leu durante a conferência de imprensa de anúncio deste problema de saúde pública.

    Sem especificar o número de casos em cada uma das províncias, o diretor nacional adjunto da Saúde Pública disse, em resposta às perguntas dos jornalistas, que a situação é preocupante na província de Tete, uma vez que se regista uma tendência de aumento de casos, situação que estável noutros pontos do país.

    "A situação é preocupante na província de Tete, porque se nota uma tendência de aumento de número de casos. Nas outras províncias é estável, porque não temos situações novas", afirmou Quinhas Fernandes.

    Para tentar estancar o surto de cólera, apontou o mesmo responsável, as autoridades sanitárias estão a distribuir água potável e cloro nas zonas afetadas, a fazer promoção de jornadas de limpeza coletiva, palestras e educação para a saúde.

    Num comunicado hoje enviado à agência Lusa, a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) informou que a província de Tete diagnosticou 1.826 casos de cólera, dos quais 1.567 foram resolvidos com sucesso nos dois grandes centros de tratamento instalados na província, numa parceria entre a organização e o MISAU.

    "Tete já regista o maior número de casos e de fatalidades do país e é a província onde a epidemia evolui mais rapidamente. Como não havia surtos de cólera em Tete desde 2009, ao contrário de Niassa e Nampula, muitas pessoas não desenvolveram imunidade contra a bactéria e, portanto, estão mais vulneráveis a contrair a doença", afirma Ruggero Giuliani, coordenador- médico da MSF, citado na nota de imprensa.

    O diretor nacional-adjunto da Saúde Pública adiantou ainda que foram também diagnosticados em janeiro 465.388 casos de malária em todo o país, considerando que esse número traduz "um ligeiro aumento comparativamente a janeiro de 2014".

    Quinhas Fernandes declarou ainda que algumas regiões do país estão vulneráveis ao risco de ocorrência da dengue, exortando as comunidades a adotar medidas de saneamento para prevenir a eclosão da doença.

    Moçambique é ciclicamente atingido por epidemias relacionados com o saneamento deficiente na estação chuvosa, cujo pico acontece entre janeiro e fevereiro, devido às cheias que assolam o país nessa época, uma vez que localiza a montante de algumas das principais bacias hidrográficas da África Austral.

    Pelo menos 160 pessoas morreram e mais de 188 mil foram afetadas pelas cheias, em janeiro, nas províncias do centro e do norte do país.

    Só na Zambézia, 137 pessoas morreram, 64 foram dadas como desaparecidas e mais de 40 mil perderam as suas casas em resultado das cheias, que alagaram campos agrícolas, destruíram salas de aulas, estradas, pontes e rede elétrica.

    Lusa