Croatas e sérvios defrontam-se na Ucrânia 20 anos após a guerra na ex-Jugoslávia

11 Fev 2015 / 17:48 H.

    Combatentes croatas apoiando as forças de Kiev e sérvios ao lado de separatistas pró-russos defrontam-se de novo em território da Ucrânia 20 anos após o conflito (1991-1995) que os opôs na ex-Jugoslávia.

    A ministra dos Negócios Estrangeiros da Croácia, Vesna Pusic, admitiu hoje a presença de "um certo número" de voluntários croatas que combatem ao lado das forças ucranianas.

    "Segundo as informações de que disponho, existem combatentes croatas que se juntaram ao exército ucraniano", referiu Pusic em declarações aos media, sem precisar o seu número.

    Os serviços de informações croatas "acompanham este 'dossier'", assegurou, acrescentando que os voluntários croatas "não integram de momento as unidades paramilitares".

    Pusic comentava as informações publicadas na imprensa croata sobre a partida no final de janeiro de 20 antigos combatentes croatas da "guerra da independência" (1991-1995) com destino ao porto ucraniano de Mariupol para se juntarem ao batalhão Azov, uma unidade de voluntários ucranianos filiados na extrema-direita.

    "Ocorreu uma agressão aberta da Rússia contra a Ucrânia, semelhante à registada na Croácia em 1991. Os nossos voluntários compreenderam isso e dirigem-se para a Ucrânia para fornecer a sua ajuda", declarou a um portal da internet um dos combatentes croatas que partiu para a Ucrânia, identificado como Denis S..

    Centenas de voluntários internacionais, incluindo ucranianos, combateram ao lado das tropas croatas durante o conflito com os separatistas sérvios da Croácia, que na ocasião proclamaram uma efémera República autónoma com um apoio mitigado do regime de Belgrado, então liderado pelo falecido presidente Slobodan Milosevic.

    Recentemente, na Sérvia, o primeiro-ministro Aleksandar Vucic anunciou que o seu país vai alterar em breve o código penal para aumentar as condenações aos seus cidadãos que combatam no estrangeiro.

    A presença de voluntários na Ucrânia provenientes da Sérvia foi confirmada em março na região da Crimeia, entretanto anexada pela Rússia.

    Lusa