Empresas portuguesas dão cartas no comércio 'online' e facturam milhões

10 Fev 2015 / 16:45 H.

    Duas das maiores plataformas de venda 'online' de moda e de produtos de nutrição desportiva são portuguesas, foram criadas "de raiz" com a ambição de serem globais e, com menos de uma década de vida, faturam milhões de euros.

    "Comecei do zero há sete anos e meio, com uma garagem na Póvoa do Lanhoso, e expandimos rapidamente para toda a Europa, depois para o Brasil e agora vendemos para todo o mundo. Hoje somos mais de 230 pessoas na empresa, temos 14.000 metros quadrados e faturámos mais de 40 milhões de euros", afirmou o fundador da Prozis, uma das maiores plataformas europeias de venda de produtos de nutrição para desportistas.

    Miguel Milhão falava à margem de uma iniciativa da Google que hoje decorreu no Porto para apresentar o 'online' como uma ferramenta de internacionalização das empresas portuguesas.

    Apesar de assumir como "negócio principal" o comércio eletrónico de nutrição desportiva, Miguel Milhão diz que a Prozis "é, essencialmente, uma empresa de tecnologia" que, em resposta às solicitações do mercado, pode vir a "vender de tudo".

    "A empresa desenvolveu-se e acabou por tornar-se num grupo, dono de várias empresas que operam desde a produção à logística e 'marketing' e que fornecem também serviços a outras empresas", explicou, admitindo ter já experimentado operar na Internet com negócios diferentes, como o vestuário, mas ter entretanto compreendido que "não eram mercados tão lucrativos como a nutrição desportiva".

    Para o fundador da Prozis, o "segredo" do sucesso do negócio é mais "filosófico" do que propriamente financeiro: "É preciso questionar tudo o que existe à nossa volta. O meu segredo é que fiz e pensei tudo à minha maneira, mas isso significa que é preciso trabalhar mais do que oito horas por dia, é preciso pensar antes de ir para a cama, quando se acorda...", advertiu.

    Não muito longe da Póvoa do Lanhoso, em Guimarães, nasceu alguns anos depois da Prozis, em 2008, a Farfetch, que vende 'online' marcas de moda de luxo de cerca de 300 lojas multimarca de todo o mundo.

    "Ainda não somos líderes de mercado porque operamos à escala mundial e há alguns 'players' que ainda são maiores do que nós, mas certamente lá chegaremos um dia. Dentro do nosso segmento estaremos no 3.º lugar mundial", afirmou o diretor de operações globais da Farfetch, Luís Teixeira.

    Com um volume de transações no 'site' na ordem dos 300 milhões de dólares (cerca de 265 milhões de euros) no ano passado e taxas de crescimento anual "muito próximas dos 100%", a Farfetch é descrita pelo responsável como sendo semelhante ao 'eBay', "mas com três grandes diferenças": apenas vende "produtos de luxo", seleciona "de forma muito criteriosa" os vendedores que entram no 'marketplace' e assume "controlo total sobre a operação", dando sempre "a cara perante o cliente".

    Atualmente, a Farfetch vende os produtos de cerca de 300 lojas multimarca de luxo distribuídas por todo o mundo, sobretudo na área do vestuário, disponibilizando a cada estação mais de 100 mil referências de mais de 1.500 marcas aos cerca de 420 mil clientes ativos em 170 países.

    "No início da estação as lojas mandam-nos uma amostra de cada uma das peças que pretendem colocar 'online' e tiramos fotografias e colocamos os produtos 'online'. Depois, temos os nossos canais e estratégias de 'marketing' digital, recolhemos as encomendas e, usando a nossa plataforma, as lojas apenas têm que garantir que têm o 'stock' e confirmar que vão enviar a encomenda", explicou Luís Teixeira.

    É que, disse, apesar de estarem em causa lojas que, por vezes, "faturam milhões", o facto é que se trata de empresas muito pequenas e/ou com uma estrutura de gestão familiar, algumas das quais apenas têm "um ponto de venda com 50 metros quadrados".

    "Sozinhas nunca seriam capazes de competir à escala mundial e nós oferecemos vantagens competitivas com o nosso 'site', o 'marketing online' associado e a possibilidade de gerar tráfego e encomendas", salientou.

    De acordo com o diretor de operações, atualmente a Farfetch trabalha com lojas de 32 países, desde a União Europeia aos EUA e Brasil, estando em rápida expansão para Tóquio e o Médio Oriente.

    Ainda em fase de "crescimento acelerado", até porque "os estudos dizem que menos de 10% das vendas são feitas 'online'", a empresa portuguesa assume-se já como uma empresa global, com 555 funcionários distribuídos por escritórios em Tóquio, Guimarães, Matosinhos, Londres, São Paulo, Nova Iorque e Los Angeles.

    Só em Portugal, a Farfecth emprega 275 pessoas e planeia, durante este ano, contratar "seguramente mais 100" funcionários.

    "A empresa portuguesa vai ser sempre a que mais vai crescer porque, antes de sermos uma empresa de moda, somos uma empresa tecnológica, porque sem a nossa plataforma nada era possível, e todos os nossos engenheiros estão em Portugal", concluiu.

    Lusa