Aterro com detritos do temporal no Funchal transformado em 'Praça do Povo'

06 Nov 2014 / 11:10 H.

O aterro feito com os detritos arrastados pelo temporal de fevereiro de 2010, no Funchal, foi transformado na “Praça do Povo”, um investimento superior a 81 milhões de euros na marginal da cidade, que abre parcialmente ao público sexta-feira.

A obra, que vai ser inaugurada pelo presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, foi feita ao abrigo da Lei de Meios, criada pelo Governo de José Sócrates (PS) para custear os prejuízos avaliados em 1.080 milhões de euros causados pela enxurrada que provocou mais de 40 mortos, seis desaparecidos, centenas de desalojados e avultados danos materiais.

O governo madeirense justificou que o aterro resultou da necessidade urgente de desassoreamento dos troços terminais das três ribeiras que desaguam no interior do porto do Funchal, tendo sido constituído como depósito temporário dos inertes a leste do cais da cidade.

Face ao elevado volume ali depositado [estimado na altura em cerca de 100 mil metros cúbicos de inertes acumulados das ribeiras, representando cerca de 10 mil camiões], o executivo regional acabou por decidir não retirar aquele material, alegando que representaria um elevado custo financeiro e fortes constrangimentos no trânsito da cidade devido à circulação de centenas de camiões.

Em alternativa, optou por um projeto de “valorização urbanística e paisagística” naquele terrapleno e, entre as intervenções efetuadas na marginal do Funchal depois do temporal, surgiu a agora denominada ‘Praça do Povo”, no espaço em frente à Assembleia Legislativa da Madeira.

Uma informação divulgada pelo executivo madeirense salienta que “a restante área, como extensão da zona de lazer da Avenida do Mar e usos múltiplos, tem generosos espaços verdes, com zonas de estadia e percursos pedonais rodeados por plantações”, abre agora só parcialmente, porque ainda decorre a construção de um cais para navios de cruzeiro, que deve ficar concluído na primavera de 2015.

O novo cais terá 300 metros e representa um investimento de 17,8 milhões de euros, da responsabilidade da Administração dos Portos da Madeira.

A obra que Alberto João Jardim vai inaugurar é a terceira fase da intervenção nos troços terminais das Ribeiras de João Gomes e Santa Luzia, que tem um custo total de 81.866.393 euros, sendo de 77.476.113 euros o valor de despesas elegíveis e uma taxa de comparticipação comunitária de 85%.

Desde o início que este aterro de inertes do temporal gerou muita polémica e críticas de vários partidos e ambientalistas, tendo sido palco para um cordão humano em fevereiro de 2011 e o projeto sido chumbado pela câmara do Funchal, então liderada por Miguel Albuquerque (PSD).

A autarquia sugeriu que o material depositado no aterro fosse utilizado na ampliação de 400 metros do atual porto da cidade e as críticas da vereação estiveram na origem da expulsão do partido do então vereador do Ambiente, Henrique Costa Neves, que considerou o projeto “um fiasco” e um “desperdício de dinheiro” unir as fozes das ribeiras.

Alberto João Jardim assegurou, então, que este projeto avançaria “gritasse quem gritasse”.

Lusa

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