Rui Machete garante não ter identificado portugueses ligados ao Estado Islâmico

24 Out 2014 / 19:49 H.

    O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, garantiu hoje não ter revelado "qualquer informação" que permita identificar os portugueses ligados ao grupo jihadista Estado Islâmico e manifestou-se disponível para ser ouvido no parlamento à porta aberta. 

    "Nas declarações que proferi à Rádio Renascença, não consta qualquer tipo de informação que permita a identificação de cidadãos portugueses que participem neste movimento terrorista", disse o ministro, perante as bancadas do PSD e do CDS-PP, nas jornadas parlamentares, que decorrem hoje na Assembleia da República. 

    O governante afirmou ainda ter "todo o gosto em vir" ao parlamento, "mais concretamente à comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, prestar todos os esclarecimentos que os senhores deputados entendam por bem" e disse estar disponível "para que essa audiência possa decorrer à porta aberta". 

    Na entrevista, o ministro fez declarações sobre portugueses envolvidos no autointitulado Estado Islâmico que quererão regressar a Portugal. Segundo o Diário de Notícias de quinta-feira, tais afirmações corresponderão a "informação secreta" e terão causado mal-estar no Governo, mas Machete já negou ter revelado informação deste tipo. 

    Na sua edição de hoje, o Diário de Notícias revela que no Conselho de Ministros de quinta-feira, o caso chegou a provocar momentos de tensão entre governantes,  com o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, a considerar inaceitáveis as declarações do responsável da diplomacia. 

    O PS pediu a audição, à porta fechada, do ministro, classificando de "irresponsáveis" as declarações do chefe da diplomacia portuguesa e considera  poder tratar-se de um caso de informação sigilosa. 

    Na sua intervenção perante os deputados - que não foi presenciada por Miguel Macedo, que chegaria mais tarde às jornadas -, Rui Machete sublinhou que, ao  contrário das suas declarações, diversos órgãos de comunicação social têm "revelado nomes, dados pessoais e até fotografias" destas pessoas. 

    O ministro dos Negócios Estrangeiros salientou que, "ao aderirem a movimentos terroristas, estes jovens colocam-se a eles próprios em risco e passam a  constituir um risco para a nossa sociedade, para a segurança do país, sem margem para qualquer enviesamento ou inversão de valores". 

     Sublinhando que o autodesignado Estado Islâmico (EI) é "uma organização criminosa e terrorista", Machete defendeu que "nenhum membro da coligação internacional poderá permitir qualquer tipo de concessão".  

    "Como ministro dos Negócios Estrangeiros, compete-me defender isso mesmo",  destacou. Sobre a participação de combatentes estrangeiros nas fileiras do EI, Rui Machete recordou que, no caso português, "é do conhecimento geral que  este problema se restringe a um reduzido número de cidadãos" - na entrevista, declarara serem entre 12 a 15 cidadãos nacionais. 

    "Mas, tal como noutros países da coligação internacional promovida pelo Presidente [dos Estados Unidos] Obama, esse facto não impede que se coloquem  questões de muito difícil resolução no que respeita à reintegração destes cidadãos na sociedade, uma vez que estará em causa a prática de atos criminosos", sustentou.

    Rui Machete referiu ainda que "a abordagem a este tema tem de evidentemente obedecer à necessária discrição" e assegurou que o ministério que dirige, "garantindo a articulação nesta matéria ao nível bilateral e multilateral, através dos canais políticos e diplomáticos, mantém, ao nível interno, uma  estreita colaboração e articulação com as autoridades nacionais competentes". 

    O governante alertou depois para o "poder financeiro" e a "sofisticação inédita" do recrutamento deste movimento terrorista, "uma ameaça para a qual os  responsáveis políticos têm a obrigação de alertar, de dissuadir", o que argumenta ter feito na entrevista à Rádio Renascença. 

    O ministro elogiou ainda "o trabalho da diplomacia portuguesa" a eleição de Portugal para o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, esta terça-feira, e o  "acordo decisivo" alcançado hoje para a interligação do país às redes energéticas europeias.

    Lusa