"Disputa entre esses cinco cavalheiros é aspecto minoritário da vida do partido"

As palavras são de Jardim que aconselha candidatos a evitar “debates televisivos frouxos"

30 Set 2014 / 07:30 H.

Alberto João Jardim foi ontem à Comissão Política do PSD-M para ter tempo de antena e sobretudo para desferir reparos aos 'delfins', candidatos à sua sucessão que classificou de "criaturas" e "cavalheiros".

O líder madeirense garantiu aos jornalistas que a reunião da comissão política “foi rápida”, durou cerca de uma hora, e serviu “para dar informação sobre as questões principais da governação”, numa altura em que decorre o processo de apresentação de candidaturas à liderança, em que garante não intrometer-se e assume estar "absolutamente distante".

A cautel tem explicação. Jardim admitiu recear que “quando se entra nestes processos eleitorais internos” se possa pensar que “o partido se resume a umas criaturas que concorrem à liderança”.

“O que está a suceder dentro do PSD/M, que é normal e tenho muito orgulho que um partido como o PSD tenha possibilidade o aparecimento de cinco candidatos a liderança [Miguel Albuquerque, Miguel Sousa, Sérgio Marques, Manuel António Correia e João Cunha e Silva], mas isso é apenas uma parcela da vida partidária, o partido não se resume a isso. Isso é um aspeto minoritário da vida do partido, a disputa entre esses cinco cavalheiros”, argumentou

O líder madeirense insistiu que os candidatos devem “clarificar melhor as suas posições” em relação à autonomia, à comunicação social, devem ser denunciados os que apoiaram os partidos da oposição nas últimas autárquicas.

Para Jardim, os candidatos devem também deixar-se de “debates televisivos frouxos, começando a falar das grandes questões da vida da Madeira”.

Jardim alertou que aos adversários do PSD/M, sobretudo os interesses económicos, interessa “banalizar o partido”, porque deixando de haver a “hegemonia” social-democrata, conseguirão “instrumentalizar todo os partidos”.

“É preciso ter muito cuidado nas definições quanto ao futuro para não deixar o debate interno do PSD/M ser arrastado para questões medíocres que acabariam por banalizar o partido, fazendo-o igual aos outros partidos madeirenses”, opinou.

O início, na quarta-feira, de mais uma sessão parlamentar na Assembleia Legislativa da Madeira foi outro ponto da agenda de trabalhos da reunião da comissão política, tendo sido abordada a “estratégica montada” com o grupo parlamentar.

“Há uma mensagem que quero deixar aos partidos da oposição: não é pelo facto de estarmos em eleições internas que vamos facilitar-lhes a vida. Pelo contrário, o que foi aqui resolvido é que a nossa posição não só será a mesma dura de sempre, como ainda será mais endurecida para não dar a impressão de que o partido está a arribar por causa das eleições internas”, concluiu o líder social-democrata madeirense.

O presidente do PSD/Madeira rejeitou ainda qualquer postura de “subordinação à República” por parte do partido na região, alertando que, se isso vier a acontecer, poderão surgir outros movimentos autonómicos no arquipélago.

“Entendo que não pode haver situação de subordinação à República, por muita força que os centralismos venham ganhando por causa das crises recentes”, declarou Alberto João Jardim aos jornalistas, no final da reunião da comissão política regional do PSD/Madeira.

Jardim declarou que, enquanto for presidente do Governo Regional da Madeira e do PSD neste arquipélago, “a luta pela autonomia não acaba”, acrescentando que “se alguém quiser transformar o PSD/M num partido submisso a Lisboa, se calhar outros movimentos autonómicos acabarão por surgir na Madeira”.

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