Protestos atrasaram abertura de assembleias de voto em duas aldeias do concelho de Sintra

25 Mai 2014 / 11:44 H.

    As populações das aldeias do Penedo (Colares) e de Dona Maria (Almargem do Bispo), no concelho de Sintra, atrasaram hoje uma hora a abertura das assembleias de voto nas eleições para o Parlamento Europeu.

    No Penedo, dezena e meia de pessoas tentaram fechar com uma corrente as instalações da Tuna Euterpe União Penedense, em protesto contra o encerramento de uma estrada devido ao muro de uma quinta que ameaça ruir.

    Os bombeiros e a GNR de Colares cortaram a corrente, mas moradores mantiveram-se no local apelando à população para não votar. "Foi um gesto mais simbólico para chamar a atenção para a necessidade de obras que permitam abrir a estrada", explicou Anabela Almeida. A moradora notou que "crianças da escola da Sarrazola tem de fazer a estrada a pé, apesar do muro ameaçar ruir".

    "Não temos outro acesso pedonal", lamentou José Pereira, morador no Penedo e comerciante em Almoçageme, apontando as dezenas de quilómetros que a população é obrigada a fazer para contornar os cerca de 150 metros vedados à circulação devido á ameaça de queda do muro com 4 metros de altura da Quinta de Cima, propriedade de Vale e Azevedo.

    A diretora municipal Ana Queiroz do Vale, que se deslocou ao Penedo já depois da abertura das urnas, garantiu aos moradores que a Câmara de Sintra está "a desenvolver todas as diligências para fazer as obras", depois de a proprietária ter comunicado à autarquia não ter disponibilidade financeira para reparar o muro.

    Ana Queiroz do Vale assegurou que "a câmara vai tomar posse administrativa" da quinta para avançar com as obras, que devem iniciar-se "em junho" assim que sejam concluídos determinados procedimentos e notificações. Após a conclusão dos trabalhos, os custos serão imputados ao proprietário.

    A mesa de voto, que só abriu às 9:00, "devido à impossibilidade de entrar nas instalações", como se justifica num edital afixado na porta, pôde então funcionar, embora com pouco afluência.

    Em Dona Maria, a população também tentou bloquear com correntes a assembleia de voto, em protesto contra a intenção de encerramento da unidade de saúde local, confirmou Rui Maximiano, presidente da junta da União de Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar.

    "A população acorrentou o portão da escola primária onde funciona a assembleia com duas mesas de voto", esclareceu o presidente da junta. As autoridades policiais retiraram a corrente, e a assembleia de voto abriu por volta das 9:00.

    O protesto, segundo Rui Maximiano, visou protestar "contra o eventual fecho da unidade de saúde e a falta de médicos". As mesas de voto abriram, mas o autarca notou que "a afluência estava muito fraca".

    Lusa