Gran Canaria combate invasão de cobras

07 Mai 2014 / 02:05 H.

A ilha espanhola Gran Canaria convocou especialistas mundiais para ajudarem a deter a invasão de cobras brancas que ameaçam comer todos os seus lagartos raros, indicou hoje um ecologista.

Os guardas florestais da Gran Canaria, a maior das Ilhas Canárias, mataram já milhares de cobras reais californianas, descendentes de cobras de estimação que escaparam para a natureza.

As cobras não representam uma ameaça para os seres humanos, mas têm devorado outras criaturas, tais como o lagarto gigante da Gran Canaria, disse o ambientalista Ramon Gallo, que dirige um projeto para controlar a população de cobras, citado pela agência de notícias francesa, AFP.

"Aquele lagarto só existe na Gran Canaria e, se as cobras acabarem por se espalhar por toda a ilha, elas farão dele uma espécie em perigo de extinção", sublinhou.

"Estamos a falar de salvar a biodiversidade das Ilhas Canárias, que é um dos principais atrativos que as ilhas têm para o resto do mundo. As Canárias são um laboratório biológico e as cobras estão a colocar em risco uma das suas espécies mais importantes", acrescentou.

A equipa de Gallo obteve, em 2011, fundos da União Europeia para uma campanha de quatro anos para proceder à seleção das cobras.

Na quinta e na sexta-feira, a ilha receberá especialistas internacionais, incluindo especialistas em cobras norte-americanos, que participarão numa conferência que pretende aumentar a consciencialização perante aquela ameaça.

O ambientalista referiu que as cobras foram primeiro detetadas na natureza da Gran Canaria em 1998, aparentemente descendentes de um pequeno número de animais de estimação que deslizaram até zonas de bosque.

A cobra real é um animal de estimação popular, que não cresce além dos 1,8 metros.

A espécie proliferou no clima temperado e ensolarado da Gran Canaria, onde não encontrou predadores naturais e, sim, muito que comer -- sobretudo lagartos, que encurralam ou apertam até à morte.

As cobras reais existem em várias cores, mas na área principal em que vivem na Gran Canaria, a maioria delas é do tipo albino -- brancas com riscas amarelo claro e olhos cor-de-rosa.

Desde 2007, indicou Gallo, cerca de 2.000 delas foram mortas -- à paulada por guardas florestais ou membros da população, ou capturadas por falcões ou cães treinados ou em armadilhas.

Mas pensa-se que um número incalculável delas prolifere fora da vista humana, debaixo da terra, acrescentou.

O Seminário Internacional sobre Controlo de Repteis Exóticos Invasivos decorre nos dias 08 e 09 de maio em Las Palmas, na Gran Canaria.

Lusa

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