Carta Nacional do Turismo Militar vai potenciar o turismo em quartéis, castelos e fortificações

14 Dez 2013 / 11:38 H.

    Conferir atratividade ao património militar nacional e potenciar turisticamente fortificações, castelos e quartéis em todo o território é o objetivo da proposta de Carta Nacional do Turismo Militar, que está a ser elaborada pelo Politécnico de Tomar (IPT).

    A elaboração do conceito e a construção da proposta de intervenção tem utilizado o território de Vila Nova da Barquinha como laboratório devido à histórica e forte presença de unidades militares no denominado Polígono de Tancos, como a Escola Prática de Engenharia (EPE), a Escola de Tropas Aerotransportadas (ETAT), a Unidade de Aviação Ligeira (UAL), da qual faz parte a Brigada de Reação Rápida, e a ligação aos Templários, exemplificada pelo castelo de Almourol.

    Em declarações à agência Lusa, o técnico superior do IPT que coordena o projeto, João Pinto Coelho, disse que o turismo militar é um "novo conceito nacional enquanto segmento de turismo cultural", um processo que está a ser elaborado pelos três parceiros, ao nível da conceptualização (IPT), do levantamento do património militar (Brigada de Reação Rápida) e de "município laboratório experiencial" (Vila Nova da Barquinha).

    "Não existe turismo militar organizado em Portugal mas o conceito surgiu em abril deste ano, com a respetiva inscrição no Plano Estratégico Nacional de Turismo", disse João Coelho, tendo sublinhado que na génese do projeto está o "vasto património material e imaterial de cariz militar espalhado por todo o país, desde a fundação de Portugal, e que se reflete nas fortificações, castelos, museus militares, centros de interpretação, entre outros".

    Fernando Freire, presidente da Câmara da Barquinha, disse à Lusa que este projeto "faz todo o sentido" ser testado naquele concelho, onde as várias unidades militares já oferecem produtos numa lógica de revisitação do espaço, como museus e diversos núcleos de memória, nomeadamente aos milhares de militares e seus familiares que desde 1961 foram formados na Base Aérea n.º 3 para partirem para a guerra do Ultramar".

    "Agora estão criadas as condições para dar o salto, ultrapassado que está um período em que os civis eram vistos como "corpos estranhos" dentro das bases militares, notou.

    "Hoje faz todo o sentido a implementação de um projeto turístico empresarial ligado aos afetos e aberto à história militar, tanto para os empresários, como para a comunidade civil e para os de condição militar. Portugal, com o vasto património militar que dispõe, só tem a ganhar com este projeto", defendeu.

    O trabalho, desenvolvido em parceria com a Brigada de Reação Rápida e a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha desde 2010, entra a partir de segunda-feira na fase de recolha de contributos da comunidade em geral, através do preenchimento de um formulário disponível na plataforma eletrónica www.turismomilitar.ipt.pt, e que servirão de base para a fixação conceptual do Turismo Militar e para a elaboração de uma proposta estratégica para a aplicação e desenvolvimento de produtos de Turismo Militar e de ações turísticas congéneres.

    Seguir-se-á o processo de discussão pública da proposta de Carta Nacional do Turismo Militar, a decorrer durante o mês de abril de 2014, estando o mês de maio do próximo ano reservado para a apresentação final do projeto de Carta Nacional.
     

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