Vigilantes da Natureza são o "garante da soberania" de Portugal nas Selvagens

01 Fev 2013 / 15:51 H.

    A Madeira tem um corpo de Vigilantes da Natureza que foi criado há 20 anos e cujos elementos são o garante da soberania portuguesa nas Ilhas Selvagens.

    "Os vigilantes da natureza são quase o garante da soberania portuguesa nas Selvagens, porque se não tivessem lá, seguramente não existiriam portugueses a garantir a presença nacional naquelas ilhas", disse à agência Lusa o diretor do Parque Natural da Madeira, Paulo Oliveira, organismo responsável por este corpo que assinala no sábado o seu dia nacional com um programa na Ponta de São Lourenço, no extremo este da Madeira.

    O responsável do Parque Natural da Madeira (PNM) salientou que o grupo é atualmente constituído por 40 funcionários que apoiam e desenvolvem trabalhos de conservação, técnico e científico em diferentes pontos e em áreas muito dispersas e distantes do arquipélago, desde a Madeira, ao Porto Santo, nas Ilhas Desertas e Selvagens.

    No caso das Selvagens, são um conjunto de pequenas ilhas que ficam a 250 quilómetros a sul do Funchal, a 1.000 do continente europeu e a 165 a norte das Canárias, existindo elementos deste corpo que ali residem, fazendo rotatividade a cada duas semanas.

    Estas ilhas remotas, que são das mais antigas reservas naturais do país, desde 1971, receberam em atos simbólicos de soberania as visitas de dois Presidentes da República Portuguesa, Mário Soares e Jorge Sampaio.

    O responsável do Parque Natural disse que este corpo de vigilantes continua a ter apenas uma mulher e representa um investimento do Orçamento Regional anual na ordem dos 800 mil euros.

    Paulo Oliveira acrescentou que foram criadas as "condições para a Madeira ter capacidade para ir buscar fundos comunitários" que, admitiu, "são determinantes para a saúde financeira" deste organismo.

    "Conseguimos garantir a nossa missão com este número de vigilantes e, neste momento de dificuldades, a nossa prioridade é manter os níveis de eficiência, com um património equilibrado entre meios humanos, técnicos e logísticos, para ter pessoas a trabalhar em áreas tão dispersas e distantes", vincou.

    O director do PNM referiu que se este equilíbrio não for conseguido representará um "retrocesso na conservação da biodiversidade" da região.

    "Mas acredito que vamos conseguir, até porque temos mais candidaturas a mais projetos comunitários que são o garante desta continuidade", declarou, mencionando existirem presentemente alguns em curso, como são os casos do "Habitats Porto Santo" e do "Eco-compatível", no âmbito da Rede Natura 2000.

    O corpo de Vigilantes da Natureza da Madeira, que surgiu em 1982, mas só foi formalmente criado em 1993, assinala no sábado o seu dia com um passeio convívio na Ponta de S. Lourenço, "com um programa simples, mas ambicioso".

    Paulo Oliveira disse que foram convidadas pessoas ligadas a actividades da natureza, turismo e desporto e "que trabalham em áreas protegidas".

    Lusa