Privatização da RTP foi adiada

24 Jan 2013 / 22:31 H.

O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, confirmou hoje que a privatização da RTP vai ser adiada, mas que se mantém a intenção de alienar um canal quando for oportuno.

"Vamos cumpri-lo [programa do Governo] no momento adequado", disse o ministro, em entrevista hoje ao Telejornal da RTP1.

Questionado sobre se o adiamento da privatização de um canal é uma derrota, Miguel Relvas disse que não.

"Garanti e garanto, mantém-se aquela que é a propsota que está no programa do Governo", que é a "privatização de um canal".

A queda de publicidade no último ano foi "muito significativa e a avaliação que foi feita e os estudos que realizámos" foram no sentido de não criar condições que destruam o sector da comunicação social no país, explicou o ministro.

Questionado sobre se este adiamento se deve à oposição do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, à privatização, Miguel Relvas disse: "Não há decisões do ministro A ou do ministro B".

Sublinhou que a privatização fazia parte do programa do Governo do PSD e defendeu que é preciso haver um serviço público de qualidade garantido pela RTP.

Relvas disse que durante o dia de hoje, no âmbito da reunião do Conselho de Ministros, foram abordados vários modelos sobre o futuro da RTP, que classificou de "extraordinariamente interessantes".

"Não tenho dúvidas que num futuro próximo [esses modelos] poderão ser utilizados e que servirão de base para a reestruturação da RTP".

Questionado sobre eventuais despedimentos, que o Diário Económico avança hoje na ordem dos 600, ou seja, cerca de um quarto dos trabalhadores da RTP, o ministro escusou-se a dar detalhes.

"Vai ser um processo ambicioso, exigente, doloroso. A RTP não está num quadro diferente de todos os outros grupos de comunicação social", disse o ministro, lembrando que há outras empresas do sector que estão também a fazer reestruturações.

Miguel Relvas disse que pediu ao conselho de administração que elaborasse um plano de reestruturação para apresentar "num espaço curto de tempo, de dias".

Para o ministro que tutela a pasta da Comunicação Social, a reestruturação vai "valorizar a RTP", empresa que tem sido desvalorizada, quer nas audiências, quer na qualidade do serviço público.

O processo de reestruturação e de modernização da RTP vai custar 42 milhões de euros.

"Há uma certeza que tem de ser dita cara a cara: os portugueses deixarão de pagar a RTP duas vezes", quer pela taxa de audiovisual, quer por via da indemnização compensatória, afirmou.

A partir do próximo ano, a RTP vai só contar com a taxa de audiovisual, valor que vem na fatura da eletricidade, e com as receitas de publicidade.

No ano passado, afirmou o ministro, a RTP custou 540 milhões de euros.

Para Miguel Relvas, é possível ter uma televisão com mais qualidade, gastando menos. Com esta reestruturação, o ministro espera uma RTP com "visão
mais ousada e mais moderna" e a valorização dos canais internacionais, esperando que dentro de dois anos a RTP seja mais competitiva.

Lusa

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