Portugal tem uma "produção de arquitectos exagerada"

11 Jan 2013 / 19:15 H.

O arquitecto Álvaro Siza Vieira considera que, em Portugal, existe "uma produção de arquitectos exagerada", apontando que o número de escolas de arquitectura é idêntico ao de Espanha, onde "a população é cinco vezes maior".

O conceituado arquitecto esteve na quinta-feira na cerimónia de pré-inauguração do Atelier-Museu Júlio Pomar, em Lisboa, cujo projeto de remodelação do edifício é da sua autoria.

À margem da cerimónia, em declarações à agência Lusa, sobre a iniciativa que a Secretaria de Estado da Cultura lança hoje para reforçar a projeção internacional da arquitetura portuguesa, Álvaro Siza achou-a "muito interessante".

"O secretário de Estado da Cultura [Jorge Barreto Xavier] falou-me nesse projecto, e até me convidou para estar presente, mas eu pedi para ser dispensado, porque ainda estou a recuperar", de um acidente sofrido no ano passado, disse o arquitecto, de 79 anos.

No entanto, sobre a iniciativa, comentou: "Particularmente, neste momento, é importante, porque, infelizmente, muitos arquitetos, sobretudo jovens arquitectos, estão a ter de ir para outros países. Já foram bastantes, e é natural que ainda vão mais".

No âmbito da iniciativa 'Ano da Arquitectura Portuguesa 2013', que junta várias parcerias no setor e também entidades das tutelas da Economia e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, vai ser concertada uma estratégia de promoção no estrangeiro e uma programação de iniciativas em 10 países.

Contudo, para o galardoado em 1992 com o Prémio Pritzker, considerado o Nobel da Arquitetura, "há muitos arquitectos, ou uma produção de arquitectos exagerada" no país.

"Em Portugal há 34 escolas de arquitectura, se é que ainda estão abertas. Num país onde havia pouquíssimos arquitectos, passou a haver demasiados", avaliou.

Comparou o país a "Espanha, onde há o mesmo número de escolas [de arquitectura], mas simplesmente a população é cinco vezes maior".

Este tipo de iniciativas "pode concorrer para criar maior visibilidade, e portanto mais receptividade a tantos que podem ir para fora, e que eu espero que possam voltar em breve, porque fazem falta cá".

A iniciativa 'Ano da Arquitetura Portuguesa' envolve a Ordem dos Arquitectos, a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Frederico Costa, e o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua.

Lusa

Outras Notícias