'SOS Racismo' critica absolvição de polícia que matou um jovem na Amadora em 2009

06 Dez 2012 / 20:02 H.

    O movimento 'SOS Racismo' criticou hoje a absolvição do polícia que em 2009 matou a tiro um jovem na Amadora, considerando que a justiça legitimou a violência policial.

    O agente da PSP que estava acusado de ter matado Elson Sanches, conhecido por 'Kuku', de 14 anos, após uma perseguição policial, foi absolvido na quarta-feira, do crime de homicídio negligente grosseiro.

    Em comunicado, o movimento considera que o polícia que disparou sobre o jovem do bairro da Quinta da Laje, na Amadora, foi "escandalosamente absolvido" e que "é muito revoltante que a morte de jovens negros continue impune".

    De acordo com o documento, "a justiça legitimou a violência policial" ao não ter condenado o autor dos disparos.

    O 'SOS Racismo' recorda casos como os do músico Mc Snake (2010) e de Nuno Rodrigues (2002) - morreram na sequência de disparos efetuados por polícias - e critica a justiça portuguesa.

    "A sociedade e as instituições em geral, nomeadamente a Justiça, demonstram que existe um profundo racismo na sociedade portuguesa, o que oculta um debate sério e frontal sobre racismo, violência policial e exclusão social", refere o documento.

    Para o 'SOS Racismo', "a justiça, no modo como tem atuado, tem sido dos principais reprodutores de imaginários racistas", conduzindo "aos abusos, perpetuando ideologias e legitimando relações de poder que oprimem os mais fracos".

    Na quarta-feira, uma associação de jovens que trabalha no bairro Quinta da Laje (Amadora), criticou igualmente a absolvição do policia, considerando "revoltante" que quando "alguém mata alguém" tem que ser condenado.

    A juíza do 3.º Juízo Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, justificou na quarta-feira a decisão com o facto de o polícia ter agido em legítima defesa, tendo em conta as circunstâncias em que o crime ocorreu, e acrescentou que o agente "não podia" ter atuado de outra forma.

    O arguido, de 37 anos, estava acusado de um crime de homicídio negligente grosseiro na forma consumada, com uma moldura penal até cinco anos de prisão, razão pela qual foi julgado em tribunal singular e não colectivo.

    Para o tribunal ficou praticamente provada toda a acusação do Ministério Público (MP), exceto que o agente da PSP tenha agido sem o cuidado devido perante uma situação com os contornos que a juíza explicou.

    "Perseguiam suspeitos perigosos, que seguiam num carro furtado e pararam num bairro problemático da Amadora [Santa Filomena]. O arguido identificou-se como PSP, mas a vítima continuou a fugir até se envolverem em confronto físico. Era de noite e, quando a vítima ia a fugir, virou-se para trás com um objecto metálico e brilhante", descreveu.

    Lusa

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