Idosos têm "papel essencial" em tempos de crise

27 Out 2012 / 10:56 H.

A coordenadora do Ano Europeu do Envelhecimento  Activo e da Solidariedade entre Gerações destacou hoje o "papel essencial"  dos idosos em momentos de crise, que não tem sido contabilizado pela sociedade,  embora tenha "uma importância decisiva".  "Nestes momentos de dificuldades são os mais velhos que podem ajudar  em vários sentidos, não só a nível económico, como de acompanhamento, de ter mais disponibilidade para os mais novos e cuidar dos mais dependentes", disse à agência Lusa Joaquina Madeira, a propósito do Dia Mundial da Terceira  Idade, assinalado a 28 de outubro.

"É um papel essencial que não temos contabilizado na sociedade, nem lhe damos valor económico, mas que tem uma importância decisiva para a regular vida da sociedade", acrescentou. Como não estão no mercado de trabalho, os idosos são considerados como "uma despesa": "Fomos uma sociedade que fraturou muito e pôs os idosos num campo de que são eles que fazem a despesa e já não colaboram para a produção nacional".

"O que o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e estes dias vêm dizer é que os mais velhos produzem, têm trabalho útil, colaboram e contribuem para o equilíbrio da sociedade e são um capital social que nenhuma sociedade pode desperdiçar", frisou

Joaquina Madeira alertou que a sociedade não pode estigmatizar as pessoas por serem mais velhas. Os idosos "continuam a ser o local de proteção para as outras idades. Isto é natural, é a concretização da solidariedade entre gerações".

Como coordenadora do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo, que termina em dezembro, Joaquina Madeira constatou no terreno o que está a ser feito em prol dos idosos. Realçou o "bom papel" que as entidades locais estão a fazer na área da formação, informação e ações concreta para a promoção do envelhecimento ativo, nomeadamente as autarquias, misericórdias, instituições particulares de solidariedade social, escolas e as academias e universidades seniores.

"Há uma dinâmica, uma ação nacional em cada um dos concelhos, das freguesias, de atenção a esta problemática. O papel que a GNR e a PSP estão a fazer é extraordinário", salientou. Por outro lado, frisou, também há "muita solidariedade na sociedade civil".

"É interessante ver a rede de solidariedade de proximidade relativamente ao problema que ainda temos e nos apoquenta muito que é a solidão dos idosos", disse.

Segundo a responsável, "uma boa parte dos seniores vive bem, equilibrada, cada vez melhor", apesar de ainda haver "um lado sombrio" na sociedade portuguesa que não pode ser esquecido, os idosos que vivem sós e na pobreza. De acordo com o Censos de 2011, 400.964 idosos vivem sozinhos e 804.577 na companhia exclusiva de outras pessoas com 65 ou mais anos, representando cerca de 60% da população idosa a viver nestas condições.

São os idosos que vivem em condições mais vulneráveis que mais sofrem em épocas de crise, disse Joaquina Madeira, defendendo a importância das entidades locais para intervir "nestas situações de crise e emergência". "Nós temos dois deveres na nossa vida: cuidarmo-nos e cuidar dos outros e, neste momento, temos cada vez mais de cuidar dos outros", frisou.