Primeiro tríptico da ilha da Madeira no Museu Nacional de Arte Antiga

18 Jun 2012 / 17:30 H.

A 22 de Junho será inaugurada, pelas 18 horas, na Sala do Tecto Pintado, do Museu Nacional de Arte Antiga, a exposição referente ao primeiro tríptico da Madeira.

De acordo com o Departamento de Comunicação e Divulgação do Museu, em 1905, o historiador Eberhar von Bodenhausen atribuiu o Tríptico de Nossa Senhora da Misericórdia a Jan Provoost (Mons, 1462/5 - Bruges, 1529), um dos mais importantes pintores renascentistas da Flandres, Cavaleiro do Santo Sepulcro, amigo íntimo de Dürer e por ele retratado duas vezes.

 A mesma fonte revela que depois de um longo e complexo trabalho de conservação nos painéis laterais deste tríptico, o Museu Nacional de Arte Antiga tem agora a possibilidade de apresentar ao público, na sua forma completa, um dos mais importantes conjuntos da sua colecção de pintura flamenga.

 "Graças às técnicas de reflectografia tornou-se possível conhecer o desenho subjacente à pintura, comprovando, através de estudos comparativos, a atribuição do trípitico a Provoost, apoiada há mais de um século pela maioria da crítica nacional e internacional", lê-se na nota de imprensa.

 A exposição revela ainda dois elementos essenciais sobre esta obra, adquirida em 1876 pela Academia Real de Belas-Artes a Agostinho de Ornelas, diplomata originário da Madeira.

 No recibo desta transacção, pode ler-se que a pintura provém da Capela de São João de Latrão, na Madeira, e não da Misericórdia do Funchal, como supunha a historiografia oficial.

A iconografia das representações principais do tríptico respeita as vontades expressas no testamento do rico mercador e produtor de açúcar, Nuno Fernandes Cardoso, e de sua mulher, Leonor Dias, que terão mandado edificar a Capela de S. João de Latrão, em 1511, nas suas terras de Gaula.

O mesmo documento permite datar a encomenda da pintura entre 1512 e 1515, tornando este tríptico na mais antiga obra documentada de Jan Provoost.

A exposição fica patente até ao dia 16 Setembro.

Fotos DDF/ Luísa Oliveira

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