Professores cabo-verdianos vão ensinar português para Timor-Leste

Cabo Verde junta-se a Portugal e ao Brasil

16 Jun 2012 / 05:16 H.

Cabo Verde e Timor-Leste assinaram ontem na Cidade da Praia um protocolo de cooperação que vai permitir às universidades cabo-verdianas receber estudantes timorenses e o envio, para Díli, de formadores em Língua Portuguesa.

Assinado pelos ministros da Educação timorense, João Câncio Freitas, e cabo-verdiana, Fernanda Marques, o acordo visa apoiar o ensino de Português ao longo das próximas duas décadas, com Cabo Verde a juntar-se aos esforços de Portugal e Brasil.

Isso mesmo foi destacado à agência Lusa por João Câncio Freitas, que, no final de uma visita de trabalho de dois dias a Cabo Verde, mostrou-se "impressionado" com o desenvolvimento no ensino cabo-verdiano, uma aposta, lembrou Fernanda Marques, que vem já desde a independência, em 1975.

"Na área da educação, queremos contar, a partir de 2013, com professores cabo-verdianos para o reforço e reintrodução da Língua Portuguesa em Timor-Leste. Já temos Portugal e Brasil e queremos agora Cabo Verde na formação de professores", sublinhou o ministro timorense.

"Temos 12.000 professores e 85 por cento deles não são qualificados no domínio da Língua Portuguesa. Daí a aposta do Governo timorense, nos próximos 10 a 20 anos, na Língua Portuguesa", acrescentou, indicando que, em breve, virá a Cabo Verde uma delegação técnica do Instituto de Formação de Professores (IFP) timorense.

Por seu lado, Fernanda Marques considerou à Lusa um "privilégio" o pedido de apoio a Cabo Verde, lembrando o percurso do país, que, nos últimos quatro anos, passou de um para nove o total de estabelecimentos universitários.

"Temos cada vez mais professores com formação específica para a docência. No ensino básico, está quase nos 100 por cento. No ensino secundário, temos cada vez mais", referiu a ministra cabo-verdiana.

"Não é a cereja em cima do bolo, mas sim um processo de continuidade que permite a Cabo Verde ter o privilégio de apoiar os nossos parceiros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), ao lado de Portugal e Brasil", disse.

Fernanda Marques lembrou que Cabo Verde já enviou para Timor-Leste peritos nas áreas da Justiça, Polícia e Economia, razão pela qual "faz agora todo o sentido fazer o mesmo" na Educação.

"Não se trata de enviar contingentes, mas sim agir à dimensão de Cabo Verde. Para um país como o nosso, insular e arquipelágico, era necessário esse investimento e isso tem conduzido à internacionalização da nossa mão-de-obra", concluiu.

Durante a estada em Cabo Verde, João Câncio Freitas teve também encontros de trabalho com os ministros cabo-verdianos do Ensino Superior, António Correia e Silva, e da Formação Profissional, Janira Hopffer Almada.

Lusa