Sindicato dos Jornalistas repudia "caça às bruxas na Madeira"

02 Mar 2012 / 15:43 H.

 A direcção Nacional do Sindicato dos Jornalistas (SJ) repudiou a publicação, na edição de Março, do jornal oficial do PSD-Madeira, 'Madeira Livre', de um conjunto de fotografias de cinco jornalistas, que trabalham na região, acompanhadas do título “São estes indígenas que também viram contra nós a opinião pública do Continente”.

Apesar de não ser nova a publicação de fotografias de jornalistas que o PSD-Madeira qualificada de "inimigos", o SJ considera que esta situação, que visa os jornalistas Tolentino Nóbrega ('Público'), Lília Bernardes ('Diário de Notícias'), Nicolau Fernandes (TSF), Gil Rosa (RTP) e Egídio Carreira (RDP), "suscita séria preocupação".

Em comunicado, o SJ defende que esta situação " evidencia uma extrema dificuldade do PSD-Madeira em lidar com uma realidade inelutável: os jornalistas, e em particular os visados, não estão ao seu serviço nem são instrumentos da propaganda do Governo Regional ou de silenciamento da grave situação na região".

Sublinha ainda que este tipo de prática "configura uma tentativa de condicionamento da liberdade dos jornalistas, pode constituir uma instigação, nomeadamente para os militantes e simpatizante do PSD-Madeira, à perseguição dos jornalistas visados, ou pelo menos uma indicação implícita a atitudes incorrectas para com os visados". "A confirmar-se", lê-se no comunicado emitido pelo SJ,  "trata-se de uma consigna perigosa para a liberdade de imprensa na região e um acto antidemocrático intolerável, sendo mesmo de recear uma caça às bruxas na Região Autónoma da Madeira".