Mudar mentalidades é o próximo desafio

Vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal acredita que a crise poderá ajudar na questão da mobilidade urbana

17 Out 2011 / 21:49 H.

Nos contextos de crise, é mail fácil as pessoas abandonarem os hábitos de consumo e inclusive procurando formas de poupar dinheiro. Para tal a mudança de mentalidades no que toca à mobilidade urbana, com maior uso dos transportes públicos e outras formas de locomoção que não o veículo próprio por parte dos madeirenses e funchalenses, em particular, esta crise afigura-se como uma "janela de oportunidade".

É com esta perspectiva que o vice-presidente da Câmara Municipal do Funchal, Bruno Pereira, acredita que será possível melhorar a qualidade da mobilidade na cidade e, consequentemente, em toda a Região. "O Funchal é um bom exemplo de como foi possível integrar na agenda política a questão da mobilidade urbana sustentável e, também, como essas questões não são somente que importam às grandes cidades, às cidades-capitais, a cidade como Barcelona, Berlim, mas também às pequenas e médias cidades como é o nosso caso", refere. Acrescentando: "Por outro lado, o Funchal é um exemplo que numa região ultra-periférica, numa cidade que é capital de uma região ultraperiférica, que é a única cidade do género e a única cidade insular, estas questões colocam-se com a mesma acuidade e ainda, nalguns casos, devido à nossa orografia,são mais problemáticas do que, como é evidente, no centro da Europa".

Na antecâmara da cerimónia de distinção das cidades com melhores práticas de mobilidade sustentável, que premiou Utrecht (Holanda) e Ghent (Bélgica), no âmbito do projecto Civitas Mimosa que reúne no Funchal cerca de 400 especialistas e responsáveis autárquicos de mais de 75 das 209 cidades aderentes à iniciativa da Comissão Europeia, Bruno Pereira disse estar satisfeito por Funchal ter sido escolhido como sede da 8.ª conferência 'Civitas Forum 2011'.

"O Funchal e a Madeira granjearam simpatia, por parte dos nossos parceiros da Comissão Europeia e das cerca de 200 cidades que integram a rede Civitas", salientou o autarca. "É o reconhecimento do esforço que estamos a fazer" nesta área da mobilidade urbana sustentável, acrescentou Bruno Pereira, que acredita que há ainda um longo caminho de mentalização das pessoas. "É um trabalho que terá que ser medido a médio e longo prazo. Não estamos de maneira nenhuma satisfeitos com aquilo que conseguimos até agora, queremos acima de tudo comunicar com as pessoas de forma a que estas compreendam que o seu comportamento e a sua atitude faz a diferença", afirma.

Este projecto, que teve início no Funchal em 2008 com a adesão e em 2009 na fase da implementação, está apenas a dar os primeiros passos. "É o início do processo e não fim. Será algo para daqui a 10 a 15 anos podermos, eventualmente, medir se foi um sucesso ou não", acrescenta. "A alteração dos comportamentos de todos os cidadãos, das empresas, das associações empresariais, não só no Funchal, mas em toda a Europa", acredita.

Embora com especificidades próprias, como referido da orografia acidentada que coloca mais dificuldades à mobilidade pública mais eficaz e eficiente, o vice-presidente da autarquia lembra que os ro blemas são comuns de norte a sul, nas pequenas, médias e grandes urbes, nos novos até aos primeiros estados-membros da União Europeia. "Existe é uma implementação diferente dessas medidas", notando-se evidentes diferenças na Suécia, na Noruega ou na Finlândia no andar a pé ou de bicicleta onde a tradição é maior, do que noutros países. "O encerramento de zonas históricas ao trânsito, como no caso do Funchal, onde também já temos 4,5 quilómetros de rede exclusivamente pedonal e o equilíbrio dessas políticas com o comércio, são tudo mudanças nas infra-estruturas que são mais fáceis de implementar do que mudar mentalidades".

Bruno Pereira concluiu, afiançando que na actual conjuntura a questão económica vai pesar nas escolhas dos cidadãos. "Nas alturas de crise poderemos ter uma janela de oportunidade para mudar muitos comportamentos. Ou seja, numa altura em que o rendimento das famílias desce, como o transporte público é quase sempre, mas não ncessariamente, mais económico que o transporte individual, o nosso próprio carro, quase que por necesidade as pessoas são obrigadas a mudar."

Como referido, o Funchal concluiu o estudo de mobilidade em Janeiro de 2008 e candidatou-se ao projecto Civitas ao longo desse ano, aderindo como membro em 2009 e desde esta segunda-feira até quarta-feira recebe o Forum Civitas 2011, onde se debaterá tdas estas temáticas. Depois de um primeiro dia de descontração, esta noite, além de um cocktail de boas-vindas realizado no Teatro Municipal Baltazar Dias, foram entregues os prémios 'Participação Pública' à cidade de Ghent e 'Inovação Técnica' e o galardão máximo 'Cidade do Ano' à cidade de Utrecht.

Esta terça-feira, começam os trabalhos com debates na sala de conferências no CS Madeira Atlantic Resort, no Funchal, a partir das 9h00.