Fisioterapia 'paliativa' faz chegar a saúde e dignidade a quem espera pelo fim da vida

17 Out 2011 / 09:23 H.

    Acamados e à espera pelo fim da vida, João e Clementina são dois dos doentes apoiados pela fisioterapia paliativa de Torres Vedras, um apoio escasso no país mas indispensável para minimizar a dor e evitar a hospitalização destes doentes.

    O projecto de fisioterapia em cuidados paliativos 'Humanizar o fim de vida' da Associação de Solidariedade e Acção Social de Ponte Rol ganhou recentemente o prémio de boas práticas "Diversificar para inovar", atribuído pela Câmara Municipal de Torres Vedras, que este ano passou a distinguir os melhores projectos do Plano de Desenvolvimento Social do concelho.

    João, 89 anos, está acamado há um ano após ter sido vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de cancro e a sua perda de autonomia levaram a família a recorrer ao projecto. Em estado muito debilitado, a intervenção da fisioterapeuta Dina Dias resume-se agora a aliviar a infecção respiratória, mas chegou a integrar alongamentos dos membros inferiores e superiores para impedir o agravamento de problemas de circulação e falta de movimento.

    "Ele fica mais aliviado e deveríamos ter mais apoios nesta área, porque sem esta equipa não estávamos tão descansados em tê-lo em casa", explicou a filha Engrácia.

    Clementina, 81 anos, acamada há quatro por AVC é outra dos dez doentes das freguesias de Ponte Rol, Silveira e São Pedro e Santiago abrangidos pelo projecto.

    Com vista a melhorar a resposta do apoio domiciliário, o projecto consiste em "Aplicar técnicas de eliminação de secreções para alívio respiratório, manobras respiratórias, drenagens linfáticas dos membros inferiores, mobilizações e alongamentos dos músculos, posicionamentos, massagens para alívio de tensões e ensino da família sobre como sentar o doente", explicou a fisioterapeuta.

    Um apoio considerado indispensável e escasso no país sobretudo para os chamados doentes terminais, a quem os hospitais dão alta médica face ao prognóstico e por falta de camas, enviando-os para casa sem cuidados de saúde, para além da enfermagem.

    "Junto dos nossos utentes do apoio domiciliário começámos a perceber que acabavam por falecer não pela sua doença mas por múltiplas infecções respiratórias, renais, linfáticas, cardíacas", justificou a assistente social e coordenadora do projecto, Susana Neves.

    "Estes doentes pediam-nos para morrer em casa, pediam para não sofrer tanto", sublinhou, acrescentando que foi decidido avançar para uma terapêutica não farmacológica complementar para controlar a dor e problemas como os associados à dor óssea, dispneia ou magreza extrema.

    A instituição de solidariedade social está à procura de financiamento para abranger um médico e um enfermeiro e adquirir uma viatura para alargar o projecto a 132 doentes paliativos existentes em todo o concelho de Torres Vedras.

    Desde 2006 o projecto chegou a 87 doentes, cuja média de idades é de 78 anos.

    Lusa

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