Visita de Kim Jong Il à Rússia provoca reacções diversas

20 Ago 2011 / 10:50 H.

A visita surpresa de Kim Jong Il, dirigente da Coreia do Norte, à Rússia foi recebida de forma diferente pelos analistas russos.

Fiodor Lukianov, redactor-chefe da revista 'Rússia no mundo global' considera que Kim Jong Il irá discutir com o seu homólogo russo, Dmitri Medvedev, a construção de um gasoduto através de toda a Península da Coreia, que atravessará os territórios das duas Coreias.

Segundo ele, "as conversações podem levar à abertura económica da Coreia do Norte, que tradicionalmente se encontra numa situação complicada".

O perito russo considera mesmo que a realização do projecto conjunto das duas Coreias, com a participação da Rússia enquanto parte neutra, pode contribuir para "tirar o conflito entre elas do beco sem saída".

Konstantin Asmolov, analista do Instituto da Coreia da Academia de Ciências da Rússia, tem uma posição oposta, sublinhando que "não há razões evidentes para o encontro".

"Tudo o que puder ser analisado na cimeira Rússia/Correia do Norte não poderá arrancar a situação do ponto morto, isso diz respeito às conversações no campo do "sexteto", porque aí nada depende da posição da Coreia do Norte, mas dos Estados Unidos e dos seus aliados, em primeiro lugar da Coreia do Sul", declarou ele à rádio Eco de Moscovo.

O "sexteto", constituído pelas Coreias do Norte e Sul, Estados Unidos, Rússia e China, tem como objectivo resolver o problema do programa nuclear de Pyongyang de forma às autoridades comunistas renunciarem às armas nucleares.

"Ou serão discutidos projectos a longo prazo, como a ideia da Gazprom de fornecer à Coreia gás, mas ainda é preciso criar as infraestruturas", acrescentou.

Segundo o jornal electrónico 'Gazeta.ru', o encontro entre Kim Jong Il e Dmitri Medvedev irá realizar-se na cidade de Ulan-Udé, situada no sudeste da Sibéria.

O Kremlin anunciou que o dirigente norte-coreano visitará, no seu comboio blindado, os Círculos Federais da Sibéria e do Extremo Oriente da Rússia.

Esta visita estava marcada para finais de Junho e início de Julho, mas foi adiada devido a fugas de informação.

Lusa

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