84 crianças com autismo sinalizadas na Madeira

APPDA apela às empresas para que dispensem os pais de crianças com autismo

29 Mai 2011 / 12:11 H.

    A Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) tem sinalizadas, na Madeira, 84 crianças com autismo, mas crê que o número de doentes seja bem maior, a maioria dos quais já com idade adulta.

    A caminhada pela ‘promenade’ do Lido, organizada esta manhã, iniciativa integrada no mês do Coração, teve o propósito de dar a conhecer a associação à sociedade e chegar aos pais de crianças que tenham os mesmos problemas.

    “Para que os pais que se possam sentir, de alguma forma isolados, percebam que nós existimos e lidamos com os mesmos tipos de problemas e que podemos ajudar-nos uns aos outros”, referiu Carlos Nogueira, presidente da direcção na Madeira da APPDA.

    Ao nível de apoios do Governo Regional, considera que são razoáveis e “ligeiramente superiores ao que existe no continente”. Falta é um maior empenho dos pais e um maior conhecimento sobre o autismo por parte das empresas e das entidades empregadoras.

    “O que nós queremos é fazer ver aos pais que para isto ser ultrapassado não é só com apoio institucional. Os pais têm mesmo de apoiar e de trabalhá-los”, transmitiu Carlos Nogueira, que também tem um filho com autismo.

    Nota que seria bom que as entidades empregadoras compreendessem o problema e fossem tolerante e flexíveis o suficiente para dispensar os pais do trabalho para que pudesse fomentar o desenvolvimento da criança em casa com o apoio de técnicos e voluntários.

    “Isso obriga a um trabalho intensivo e, nesse aspecto, se conseguíssemos que os pais, ou pelo menos um deles pudesse ficar em casa a gerir esses voluntários, ele teria um apoio de pelo menos oito horas de intensivo. Não se podendo, acaba por valer o apoio dos infantários, do ensino regular que acaba por lá ir apoiar os professores para trabalhar com eles.”

    O autismo é uma disfunção no desenvolvimento que normalmente é identificado por volta dos dois anos. As crianças revelam dificuldades na capacidade de comunicação, de socialização e de comportamento.

    “Eles são crianças toda a vida, porque em termos de atitude eles preocupam-se principalmente com eles e acabam por não se socializar e por fazer aquilo que a sociedade espera deles: o poder ir trabalhar e por aí fora, porque desde que a vida deles esteja feita, eles não se preocupam com mais nada”, observa Carlos Nogueira.

    A APPDA-Madeira tem sede em São Pedro, na Rua do Quebra Costas n.º 26 e pode ser contactada pelo telefone 291753354.