Cavaco Silva condecora Dinarte Machado, mestre organeiro que construiu órgão da Igreja do Colégio

12 Jul 2010 / 17:28 H.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, condecora terça-feira, em Queluz (arredores de Lisboa), o mestre organeiro Dinarte Machado, 50 anos, com a Ordem de Mérito.
Desde o mestre organeiro António Xavier Machado e Cerveira, falecido em 1828, condecorado com o hábito da Ordem de Cristo, e tornado Organeiro da Casa Real, que o Estado português não distinguia um mestre em organaria.
A distinção, explicou à Lusa fonte da presidência da República, "deve-se ao incansável e meritório trabalho do mestre organeiro, nomeadamente na recuperação dos seis órgãos da Basílica de Mafra, mas também noutros órgãos históricos tanto no país como no estrangeiro".
A cerimónia terá lugar no Palácio de Queluz pelas 19:30, sendo impostas a Dinarte Machado as insígnias de Comendador da Ordem de Mérito.
Dinarte Machado afirmou à Lusa que "mais do que a distinção pessoal e o prazer e satisfação que dá, esta condecoração representa o reconhecimento do esforço de recuperação da escola organeira portuguesa que foi decaindo desde 1830".
Dinarte Machado tornou-se organeiro "por instinto e paixão", como explicou à Lusa aquando da inauguração do Órgão da Igreja do Colégio, no Funchal, em Dezembro de 2008, que ele próprio construíra.
O órgão da Igreja Matriz de S. Jorge, no Nordeste, ilha de S. Miguel, vila açoriana onde cresceu, foi o primeiro que tentou restaurar, na década de 1970, "por imperiosa necessidade de o usar nos serviços litúrgicos". O órgão seria posteriormente restaurado por si em 1984.
Dinarte Machado, nascido nos Estados Unidos, filho de pais portugueses e com estudos feitos na Escola Industrial de Ponta Delgada, chamou a atenção das autoridades eclesiásticas e governamentais pelo seu "engenho" em restaurar órgãos, recebendo apoios que lhe permitiram frequentar cursos e trabalhar com mestres organeiros no estrangeiro, nomeadamente na Alemanha, França e Espanha.
Eletricista de profissão, tornou-se organeiro, e em 1987 regressou aos Açores, onde abriu uma oficina em Ponta Delgada, dedicando-se exclusivamente ao trabalho de restauro e conceção de órgãos.
Até à data, restaurou 76 órgãos históricos, na sua maioria de características ibéricas, de construção portuguesa da segunda metade do século XVIII.
Construiu de raiz nove órgãos, o mais recente dos quais para a Igreja do Colégio no Funchal. O maior que construiu foi o Grande Órgão da Sé Catedral de Angra do Heroísmo.
É igualmente o construtor do Grande Órgão da Igreja de N.ª Sr.ª do Cabo em Linda-a-Velha, que o organista João Vaz afirmou à Lusa ser "o primeiro Grande Órgão construído em Lisboa e arredores, nos últimos 50 anos e o primeiro Grande Órgão de construção portuguesa em quase dois séculos".
No estrangeiro, entre outros, trabalhou com o mestre organeiro Gerhard Grenzing no restauro do órgão histórico do Palácio Real de Madrid, e restaurou recentemente o órgão da igreja de S. Francisco em Lorca (Múrcia), no sudoeste de Espanha.
 

Lusa