Namíbia assinala 20 anos de independência

País africano é 'um caso de amor' para muitos portugueses

20 Mar 2010 / 12:23 H.

    Os mais de 2 mil portugueses residentes na Namíbia sentem-se na generalidade felizes por aqui viver e não têm receio quanto ao futuro, garante o conselheiro da comunidade Manuel Coelho.
    Residente há 50 anos no país que a 21 de Março celebra 20 anos, Manuel Coelho chama à sua experiência 'um caso de amor' e salienta que a estabilidade, a segurança e a qualidade de vida são os factores que mais pesam na decisão dos portugueses em se manterem na Namíbia.
    Na sua maioria dedicados ao comércio, os portugueses podem encontrar-se em todas as áreas de actividade, desde a pesca (onde são fortes), até à hotelaria e às profissões liberais.
    'Quando, antes da independência, e quando muitos estavam receosos sobre o futuro, consegui organizar uma reunião entre o presidente da SWAPO, Sam Nujoma, e a comunidade, ele, que viria a ser o primeiro presidente da República, garantiu-nos que queria que todos os portugueses se mantivessem no país porque os considerava africanos', recorda o conselheiro da comunidade.
    A partir de então, garante Coelho, 'os portugueses têm sempre contribuído de forma generosa para a economia e para a estabilidade política da Namíbia' porque, na verdade, se sentem africanos e não emigrantes.
    A relação entre a Namíbia e os portugueses é bem ilustrada pela forma como as autoridades do país tratam a comunidade lusa e os próprios governantes portugueses.
    Quando recebeu no seu gabinete em Windhoek, em finais de Fevereiro, o ministro dos Negócios Estrangeiros português Luís Amado, o primeiro ministro da Namíbia, Nahas Angula, apressou-se a pedir que Lisboa volte a abrir uma embaixada na capital do país e para aqui nomeie de imediato um embaixador.
    Angula e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Marco Hausiku, não fizeram segredo de que a decisão portuguesa de encerrar a embaixada em Windhoek em 2005, não caiu bem junto do governo namibiano.
    A decisão, anunciada na mesma visita por Luís Amado, de nomear um encarregado de negócios para Windhoek e reforçar o ensino do Português na Namíbia foi aplaudida pelas autoridades e pela comunidade.
    Ambos se regozijam pela entrada no país de empresas portuguesas, como a TMN, que detém a maior rede móvel do país (MTC) e a Cimpor, que está em vias de entrar no sector dos cimentos com ambições mais latas na zona da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).
    Em várias ocasiões o governo da Namíbia ameaçou dar início a um programa de expropriações de propriedades dos brancos um pouco na esteira do Zimbabué, argumentando que a grande maioria das terras se mantêm na posse de uma minoria.
    No entanto, tais planos nunca foram para diante e Manuel Coelho acredita que a má experiência do Zimbabué teria servido como alerta para o governo da SWAPO, interessado em criar riqueza e não paralisar a economia.
    'O que aconteceu foi que apenas duas fazendas foram adquiridas pelo governo, mas mesmo nesses casos não se tratou de expropriar mas sim de comprar por um preço considerado justo segundo o mercado, uma vez que não havia acordo entre as autoridades e os proprietários', explica o conselheiro.
    O futuro da Namíbia parece não ter perdido nenhum do fascínio e do apelo que levaram tantos portugueses a ali se fixarem no passado.
    'Para os que aqui estão, é preciso é mais gente e mais investimento porque as oportunidades abundam', conclui Manuel Coelho.Lusa

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