Crime organizado e milícias dominam quase todas as favelas do Rio de Janeiro

Estudo indica que apenas 27 das 968 favelas da cidade não sofrem o controlo do crime organizado

10 Nov 2009 / 21:44 H.

O crime organizado e as milícias dominam quase todas as favelas do Rio de Janeiro, segundo um estudo hoje divulgado pelo Núcleo de Pesquisa das Violências, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
De acordo com o estudo, não existem mais favelas neutras das 968 favelas registadas na cidade, apenas 27 que não sofrem o controlo do crime organizado.
Os dados da investigação foram utilizados com base na sondagem feita este ano pelo Instituto Pereira Passos que contabilizou 968 favelas no Rio, contra 750 em 2004. A área ocupada pela população que vive em favelas é de mais de três milhões de metros quadrados da que ocupava em 1999.
As concentrações de violência estão voltadas para os bairros do subúrbio e na zona central da cidade, informa o estudo, que destaca as localidades em torno dos complexos do Alemão e da Maré como 'violentíssimas'.
A presença das milícias foi revelada num relatório produzido recentemente pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), indicando que 171 áreas do estado estariam sob controlo de milicianos.
Estima-se que, só na polícia, 10 por cento do efectivo de 38 mil polícias civis e militares teriam ligação com os grupos paramilitares.
Como resposta, as autoridades adoptaram o novo modelo de polícia pacificadora em cinco favelas no Rio - Santa Marta, Cidade de Deus, Batan, Babilónia e Chapéu Mangueira.
Segundo disse hoje o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, 'o grande objectivo da unidade pacificada é extinguir a questão da territorialidade' e referiu que as operações de combate às milícias, que tiveram início em 2007, não vão parar.
'Estamos mostrando que a mesma polícia, muitas vezes criticada por uma série de actos, é a mesma que hoje está a pacificar e que devolve a essas comunidades o seu território. Nós temos hoje uma política muito bem definida de devolução de território' afirmou à imprensa durante a visita da alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay.
Beltrame reconhece que o confronto com os grupos armados, tanto da milícia como do narcotráfico, é complexo.
'Aqui no Rio de Janeiro, o que nós temos é diferente do que existe em qualquer outro lugar. Nós temos um narcotráfico armado com armas de calibre e munição de Forças Armadas, com uma ideologia de facção. A polícia tem que enfrentar essas situações, é difícil mas não vamos ficar sem actuar', declarou.
O secretário de Segurança criticou que 'as pessoas, muitas vezes que não conhecem efectivamente a realidade do narcotraficante carioca, não têm esse conceito de ideologia de facção, de territorialidade de pessoas municiadas de grosso calibre, com armas ponto 30 e granadas'.
Numa reacção após ser questionado sobre o grande número de mortos registados em confrontos com a polícia, os 'autos de resistência', que contabilizaram 10 mil em pouco mais de 11 anos, Beltrame admitiu que essa situação é 'problemática' e disse que 'não esconde a questão difícil que é enfrentar o narcotráfico'.Lusa

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