'BOPE, o lado obscuro do Rio'

Documentário sobre as favelas exibido pela RTP chega às ruas do Rio de Janeiro

25 Set 2008 / 17:12 H.

A versão portuguesa do documentário 'BOPE, o lado obscuro do Rio', sobre a actuação da tropa de elite nas favelas, já chegou às ruas do Rio de Janeiro em cópias pirateadas da emissão da RTP.
Exibido oficialmente em França e Portugal, o documentário do realizador francês Antoine Robin pode ser facilmente adquirido desde a semana passada em mercados ambulantes conhecidos como 'camelôs', no centro do rio de Janeiro, por dez reais (quatro euros).
As cópias 'piratas' foram feitas através da gravação da versão do documentário transmitida pela RTP a 30 de Agosto.
A produção do filme acompanhou, no início deste ano, acções da Polícia Civil e Militar em várias favelas.
'Às 7h30 da manhã tudo parece calmo, e de repente é o caos', afirma o narrador do documentário com o som de tiros em pano de fundo. 'Parece uma guerra civil, mas isto é uma manhã normal no Rio de Janeiro'.
Segundo o documentário, o Rio é uma 'cidade de contradições. Capital turística do Brasil, local onde os mais ricos e os mais pobres coexistem sem trocar sequer um olhar. O Rio é um paraíso para os turistas, é também miséria'.
Dados apresentados pelo documentário referem que um quarto da população do Rio vive em favelas, 'zonas que o Estado abandonou e que caíram nas mãos dos traficantes de droga', que 'impuseram as suas próprias leis, governando por força das armas'.
Esta 'atmosfera de guerra civil' faz mais de seis mil mortos por ano e todas as semanas um polícia é morto no Rio.
Pela primeira vez, uma equipa de televisão estrangeira foi autorizada a acompanhar as acções dos agentes do Batalhão de Operações Especiais, BOPE, conhecidos como 'caçadores de narcotraficantes'.
No documentário, é referido que 'os agentes do BOPE atacam a matar'.
Os 400 homens que integram o grupo foram treinados para intervir em locais onde a polícia normalmente não entra.
Depois de uma operação em que um traficante baleado morreu ao chegar ao hospital, a sensação é de 'dever cumprido', declara um agente.
'É menos um marginal na sociedade. Eu não considero truculência, se eles se rendessem seriam presos', afirma o polícia, acrescentando que o criminoso não teve tempo de reagir.
Estas declarações geraram polémica entre as autoridades da Secretaria de Segurança Pública na última semana. O secretário de Estado informou que este elemento do BOPE poderá responder por homicídio se ficar provado que não houve confronto.
O filme mostra ainda o chão ensanguentado no veículo blindado conhecido como 'caveirão'. Em seguida, mostra os polícias a felicitarem o agente que disparou sobre o rapaz.
Para tentar mostrar o outro lado, a equipa visita o Morro do Cantagalo, favela em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Para ter acesso aos becos, a produção teve que negociar e pagar mil reais (400 euros) para ter um guia.
No percurso, há cenas de pessoas armadas a vender cocaína nas ruelas e corredores do morro. O líder do tráfico na região aceita ser entrevistado e diz que se considera 'um filantropo' e fala do trabalho social em benefício da população.
Este documentário é agora conhecido no Rio de Janeiro como o 'Tropa de Elite português' em comparação com a longa-metragem do realizador brasileiro José Padilha, lançado em 2007 e que venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim e que, na altura, também foi fenómeno de vendas no mercado 'pirata'.Lusa

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