Jorge Paixão da Costa estreia novo filme 12 anos depois de 'Adeus Princesa'

'O mistério da estrada de Sintra' explora o 'duelo' entre Eça de Queirós e Ramalho Ortigão na escrita de um folhetim policial

01 Mai 2007 / 11:45 H.

    A amizade entre dois escritores, ameaçada por causa de um folhetim policial, é o mote para o filme 'O mistério da estrada de Sintra', que Jorge Paixão da Costa realizou mais de uma década depois de 'Adeus Princesa'.
    Com estreia marcada para a próxima quinta-feira, o filme 'é um gozo ao Romantismo e fala de uma tentativa de dois escritores se aproximarem do jornalismo', declarou o realizador à agência Lusa.
    Passado em finais do século XIX, o filme desenrola-se em dois planos que se cruzam: por um lado, o 'duelo' entre Eça de Queirós e Ramalho Ortigão na escrita de um folhetim policial para o Diário de Notícias e, por outro, o desenrolar da história à medida que é escrita.
    A trama concebida por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão é 'de faca e alguidar', como descreve o realizador, com amores desencontrados, traição e um assassinato.
    'O que me interessava mais era filmar o que leva aqueles dois tipos a fazerem aquele folhetim', sublinhou Jorge Paixão da Costa, que só leu 'O mistério da estrada de Sintra' alguns anos depois de ter lido toda a obra de Eça de Queirós.
    Produzido pelo Animatógrafo, o filme é uma co-produção entre Portugal e o Brasil, custou 2,3 milhões de euros e foi rodado em Lisboa, Sintra, Vilamoura e no Arsenal do Alfeite, Setúbal.
    Ivo Canelas interpreta Eça de Queirós e António Pedro Cerdeira é Ramalho Ortigão, protagonistas num elenco que integra ainda Nicolau Breyner, Rogério Samora, José Pedro Vasconcelos, James Weber-Brown, os brasileiros Flávio Galvão e Bruna di Túlio e a mexicana Gisele Itie.
    A dramaturgia e os diálogos são de Luísa Costa Gomes e Tiago Borralho e o argumento foi adaptado por Paixão da Costa, Filipe Fonseca e Nuno Vaz.
    Jorge Paixão da Costa levou quatro anos desde o começo do projecto até à estreia nas salas de cinema e o filme surge 12 anos depois da sua última longa-metragem, 'Adeus Princesa', a partir do romance homónimo de Clara Pinto Correia.
    'Doze anos chegam para sarar as feridas', justifica o realizador, num tom mais desalentado em relação ao cinema português, assinalando que não rodou mais nenhum filme desde então, porque não faz 'fretes a ninguém'.
    Entre estes dois filmes, Jorge Paixão da Costa, 52 anos, trabalhou sobretudo em televisão, realizando telenovelas e séries ficcionais, entre as quais 'A Ferreirinha', 'A Raia dos Medos', 'Roseira Brava' e 'Desencontros'.
    Recentemente, a RTP exibiu de Jorge Paixão da Costa a série 'Nome de código: Sintra', baseada no folhetim policial de Eça e Ramalho, adaptada ao século XXI.
    Jorge Paixão da Costa não faz grandes distinções entre cinema e televisão: 'Faço o que os outros fazem no cinema, mas faço-o com outro dispositivo'.
    'O que ponho à frente do ecrã é o mesmo: cenário, actores e histórias', referiu o realizador, salientando, no entanto, que a televisão 'é mais gratificante' no que toca ao retorno de opinião (do espectador).
    Feita a estreia de 'O mistério da estrada de Sintra', que terá distribuição pela Lusomundo, Jorge Paixão da Costa irá dedicar-se, para já, apenas ao ensino de guionismo e realização na Universidade Lusófona.

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