Mourinho e Ronaldo ‘gigantes’ reencontram-se em ‘maré baixa’

21 Out 2018 / 11:39 H.

José Mourinho e o Cristiano Ronaldo, os dois ‘gigantes’ do futebol português do século XXI, reencontram-se na terça-feira em Old Trafford, numa fase complicada para ambos, por motivos bem diferentes.

Após um 2017/18 em ‘branco’, Mourinho não tem conseguido resultados e exibições que agradem no Manchester United e a permanência está tremida, enquanto Ronaldo viu o seu mediatismo saltar para fora do campo, ao vir à tona uma acusação de violação.

O reencontro vai dar-se, assim, com os dois portugueses em ‘baixa’, eles que, ao longo do século, têm sido quase sempre notícia pelos feitos conquistados no relvado, um a orientar e o outro a jogar e a marcar, ambos como poucos, muito poucos.

A cumprir a terceira época no Manchester United, Mourinho está em claras dificuldades desportivas, bastando ver que, concluídas nove jornadas, é o único dos seis ‘grandes’ de Inglaterra fora dos seis primeiros lugares da ‘Premier League’, já a nove pontos do líder, rival e campeão Manchester City.

O seu adeus ao clube já foi dado como quase certo e, em 06 de outubro, parecia inevitável, quando, após 10 minutos, o Newcastle vencia em Old Trafford por 2-0, resultado que ainda se mantinha a cerca de 20 minutos do final. Salvou-se sobre o final (3-2).

No sábado, voltou a não ganhar, mas desta vez no reduto do Chelsea, onde virou de 0-1 para 2-1 e acabou ‘empatado’ (2-2) na parte final do período de descontos.

A permanência do técnico no United, que já caiu da Taça da Liga, em casa, perante o ‘secundário’ Derby County, e que na ‘Champions’ é segundo no grupo H, apenas atrás da Juventus, de Cristiano Ronaldo, parece, no entanto, mais do que periclitante.

Os problemas vão, aliás, muito além dos resultados, pois os adeptos, ‘mal’ habituados aos anos de glória de ‘sir’ Alex Ferguson, também não ‘simpatizam’ muito com a qualidade futebolística apresentada pelos ‘red devils’.

Na primeira época, em 2016/17, Mourinho não lutou pelo título, acabando em sexto, a ‘longínquos’ 24 pontos do campeão Chelsea, mas foi ‘amparado’ pela conquista de três troféus, a Liga Europa, a Taça da Liga inglesa e a Supertaça Europeia.

A segunda temporada, ‘abençoada’ para o técnico luso por todos os clubes que passava, acabou por ser uma grande desilusão, com o United a ser segundo no campeonato, mas a 19 pontos do vizinho City, e não conquistar qualquer prova.

Os ‘red devils’ perderam, logo a abrir a época, a Supertaça Europeia, face ao Real Madrid (1-2), no anterior reencontro de Mourinho com Ronaldo, e depois caíram na final da Taça da Liga, face ao Chelsea, vencedor por 1-0.

Depois de uma época em ‘branco’, a terceira época do técnico luso no United - que não vence o campeonato desde o adeus de Ferguson, em 2012/13, após 26 anos e meio no clube -- também arrancou com o ‘pé esquerdo’ e tarda a endireitar, apesar de os dois últimos resultados serem mas animadores: ‘virada’ frente ao Nezcastle e empate em casa do Chelsea.

Um grande triunfo sobre a Juventus poderia dar nova alma a Mourinho, mas, no regresso a Old Trafford, Ronaldo vai querer, certamente, repetir o que conseguiu na anterior visita (2012/13): ganhar e marcar, então pelo Real Madrid, de Mourinho.

Ronaldo chega a Manchester como um ídolo - para uns adeptos que, entre 2003/03 e 2008/09, viram um miúdo franzino, uma promessa, cheia de talento, transformar-se em ‘Bola de Ouro’ -, mas envolto em problemas extradesportivos.

O ‘capitão’ da selecção lusa é acusado de violação, num caso que remonta a 2009, de umas férias com familiares em Las Vegas, nos Estados Unidos, precisamente antes de trocar o clube de Old Trafford pelos ‘merengues’, então por um montante recorde.

A norte-americana Kathryn Mayorga é a outra protagonista deste caso, ao dizer que foi violada pelo jogador português, que, por voz própria e dos advogados, já negou todas as acusações, afirmando que se tratou de uma relação consentida.

O certo é que, e volvida quase uma década, o caso assumiu um mediatismo à escala mundial, trazendo mais problemas fora do campo ao jogador luso, num ano também marcado pelo conflito que teve com o fisco espanhol, devido a fuga aos impostos.

Ronaldo negou, durante muito tempo, que tivesse defraudado o fisco espanhol, mas, segundo relatos da imprensa, nomeadamente da agência espanhola EFE, acabou por chegar a acordo para pagar 19 milhões de euros, com uma condenação de dois anos de prisão, e dar-se como culpado de quatro delitos fiscais.

Depois de, alegadamente, resolver o problema com o fisco espanhol, situação pela qual também passou Mourinho, apareceu, porém, o da alegada violação, complicando o início da sua nova vida desportiva na Juventus.

Num começo de época conturbado, Ronaldo não deixou de marcar golos, embora não em catadupa, mas já somou uma expulsão, algo injusta, em Valência, na ‘Champions’, e optou por abandonar, pelo menos temporariamente, a selecção portuguesa.

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