Grávida que foi agredida no Funchal alegou às autoridades que sofreu uma queda acidental

PSP não se convence com versão da mulher de 25 anos que já teve alta hospitalar

08 Nov 2018 / 17:48 H.

A mulher grávida que foi agredida na noite de quarta-feira, na zona velha da cidade do Funchal, ilibou o companheiro. O DIÁRIO apurou que a vítima terá alegado que os ferimentos sofridos tinham resultado não de uma agressão mas de uma queda acidental.

Segundo o DIÁRIO apurou, a mulher tem 25 anos, é natural do Leste Europeu e reside na Madeira há cerca de um ano, partilhando casa com o companheiro, o homem suspeito de a ter agredido por volta das 23 horas de quarta-feira na Travessa das Torres, numa zona de bares e restaurantes no núcleo histórico do Funchal.

Sabe o DIÁRIO que no momento em que deu entrada no serviço de urgência do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, a mulher negou as agressões e terá justificado à PSP que os hematomas e golpes que apresentava na cara tinham sido causados por uma queda acidental na rua.

Por esse motivo, a vítima deu entrada não como vítima de agressão mas como acidente pessoal, não constando nos registos policiais como crime.

Contudo, o vídeo viral que foi entretanto partilhado no Facebook por Fábio Pereira e publicado pelo DIÁRIO e por diversos órgãos de comunicação social, levaram o Comando Regional da PSP a decidir abrir um inquérito por violência doméstica, conforme já noticiámos nesta edição digital, de modo a investigar as circunstâncias em que tudo ocorreu.

A versão que a vítima apresentou à entrada do hospital tem uma importância residual no processo-crime, na medida em que a mulher encontrava-se numa situação vulnerável, eventualmente pós-traumática e temia represálias.

Por outro lado, a vítima não sabia da existência do vídeo que se tornou viral e que contribuiu para expor o caso. Sublinhe-se que os maus tratos em contexto de violência doméstica é um crime de natureza pública, logo não carece da apresentação de queixa da parte da vítima para que seja investigado.

Para além do vídeo, que mostra o suspeito junto à mulher num pranto, a PSP conta com testemunhas oculares que garantem ter assistido às agressões. Sabe-se que a vítima será inquirida nos serviços policiais num quadro de maior estabilidade e protecção que possibilite a confissão e o apuramento da verdade.

Conforme o DIÁRIO avançou, o homem já está indiciado apesar de não estar ainda formalmente identificado. A PSP possui os dados do indivíduo, assim como a morada.

Em relação ao estado da grávida de oito meses e do bebé, as análises efectuadas pelo serviço de ginecologia e obstetrícia do hospital do Funchal indicaram que o feto estava aparentemente bem, apesar de todo o tumulto sofrido pela mãe. Sabe-se que a mulher já teve alta hospitalar ainda durante a madrugada.

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