Prémio Gramophone Disco do Ano para álbum do pianista Bertrand Chamayou

17 Out 2019 / 02:00 H.

O pianista Bertrand Chamayou conquistou esta quarta-feira o Prémio Disco do Ano, da revista britânica Gramophone, pela gravação dos Concertos para piano, n.ºs 2 e 5, de Saint-Saëns, com a Orquestra Nacional Francesa e o maestro Emmanuel Krivine.

Bertrand Chamayou, que actuou em Lisboa no passado mês de setembro, no início da Temporada Gulbenkian, foi um dos sete vencedores anunciados esta noite, em Londres, na gala da revista britânica, que atribui anualmente os prémios em diferentes áreas da Música Clássica, distinguindo também Carreira, Artista e Jovem Artista do Ano, Melhor Orquestra, Melhor Editora e, este ano, pela primeira vez, melhor Álbum Concetual.

O prémio Artista do Ano foi para o pianista islandês Víkingur Ólafsson, que se distinguiu com gravações de Philip Glass e de obras de Bach, revisitadas por compositores contemporâneos, enquanto o contratenor polaco Jakub Józef Orlin conquistou o prémio Jovem Artista do Ano, depois de provas dadas na interpretação de personagens de compositores como Vivaldi e Zelenka.

A conclusão da tetralogia de Wagner, “O Anel do Nibelungo”, com a gravação de “Crepúsculo dos Deuses”, pela Filarmónica de Hong Kong, deu-lhe o prémio Orquestra do Ano.

A Fundação Birgit Nilsson, criada em memória da soprano sueca, recebeu o prémio especial (Special Achievement), “Softloud”, do guitarrista Sean Shibe, conquistou o prémio de Melhor Álbum Conceptual e o Prémio de Editora do Ano foi para a independente holandesa Pentatone, que tem entre os artistas editados o Coro e a Orquestra Gulbenkian.

O Prémio de Carreira foi atribuído à soprano britânica Emma Kirkby, com um percurso de mais de 40 anos. “De poucos cantores se pode dizer que são revolucionários ou que mudaram radicalmente o som da música nos nossos dias. Emma Kirkby conquistou o direito à excepção”, justificou a revista.

O Melhor Disco do Ano foi escolhido entre os vencedores das dez categorias dos prémios Gramophone, anunciados no passado dia 01, entre os quais se encontra o grupo vocal português Os Cupertinos, dirigido por Luís Toscano, distinguido com o Prémio de Melhor Disco de Música Antiga, com a gravação do “Requiem a 4”, do compositor Manuel Cardoso.

Além d’Os Cupertinos, agrupamento residente da Fundação Cupertino de Miranda, e de Bertrand Chamayou, os restantes vencedores foram os ensembles Masques e Vox Luminis, pela gravação de “Abendmusiken”, de Buxtehude, na categoria Música Coral; a Filarmónica de Viena e o maestro Sakari Oramo, por Sinfonias de Rued Langgaard, em Orquestral; e a pianista Yuja Wang, na área Instrumental.

Em Música Contemporânea, venceu a interpretação da ópera “Hamlet”, de Brett Dean, pelos cantores Allan Clayton e Barbara Hannigan, a Filarmónica de Londres e o maestro Vladimir Jurowski; e, em Ópera, “La reine de Chypre”, de Fromental Halévy, pela Orquestra de Câmara de Paris, dirigida por Hervé Niquet.

Em Música de Câmara, a vitória foi para “Les Trois Sonates” de Debussy, pelos músicos Isabelle Faust, Magali Mosnier, Antoine Tamestit, Xavier de Maistre, Jean-Guihen Queyras, Alexander Melnikov, Javier Perianes e Tanguy de Williencourt, enquanto o álbum dedicado a Francesco Cavalli, do contratenor Philippe Jaroussky, com Emoke Baráth, Marie-Nicole Lemieux e o Ensemble Artaserse, conquistou o prémio Recital.

Na área de ‘lieder’ venceu o álbum “Frage”, dedicado a Robert Schumann, do barítono Christian Gerhaher, com o pianista Gerold Huber.

Em 2015, a pianista Maria João Pires venceu na classe de Concerto, com a gravação do 3.º Concerto para piano e orquestra, de Beethoven, acompanhada pela Orquestra Sinfónica da Rádio Sueca e o maestro Daniel Harding.

Os prémios Gramophone encontram-se entre os mais importantes da indústria discográfica na área da música erudita. A selecção dos nomeados é feita pelo seu painel de críticos, entre as gravações mais pontuadas durante o ano transacto.