Garantida publicação de contos inéditos do Nobel da Literatura Naguib Mahfouz

10 Nov 2018 / 06:01 H.

A Saqi Books anunciou hoje a publicação de uma coletânea recém-descoberta de contos do escritor egípcio Naguib Mahfouz, Nobel da Literatura em 1988, noticiou a revista britânica The Bookseller, especializada no mercado livreiro.

A editora Saqi Books, sediada em Londres, adquiriu os direitos mundiais da libanesa Dar al Saqi, para a obra inédita do autor de “Cairo Novo”, e irá publicar as histórias em inglês, no outono de 2019, enquanto a congénere de Beirute editará, ainda este ano, o original árabe, no dia de aniversário do escritor, 11 de dezembro, na Feira Internacional do Livro Árabe, no Líbano.

Esta edição diz respeito a 50 contos de Mahfouz, entre os quais se encontram 18 inéditos, descobertos pelo jornalista egípcio Mohamed Shoair, durante a consulta de material que lhe foi cedido pela filha do escritor, Umm Kulthum.

Mohamed Shoair deparou-se com uma coleção de originais, acompanhada de uma nota manuscrita pelo autor, na qual se lia “para publicar 1994”, o ano em que o Nobel da Literatura foi alvo de uma tentativa de homicídio, feita por um fundamentalista islâmico, e à qual sobreviveu. Naguib Mahfouz tinha 82 anos.

Embora alguns dos contos recém-descobertos tenham sido publicados durante a vida de Mahfouz, em revistas, como a Nisfeldunia, e coletâneas, 18 deles chegam agora a público pela primeira vez.

A descoberta destes inéditos foi feita pela filha do escritor, Umm Kulthum, no passado mês de setembro, quando anunciou estar à procura de uma editora para a obra.

A editora Saqi afirmou que se trata de uma “descoberta inestimável”.

“Com cenários de fábula e personagens aparecendo e reaparecendo [ao longo das histórias], estes contos falam da sociedade contemporânea do Cairo”, escreveu a casa britânica, em comunicado.

“Com a observação, muitas vezes irónica, sempre perspicaz de Mahfouz, esta é uma descoberta inestimável e [constitui] uma excelente notícia para os leitores de um dos romancistas mais amados do mundo”, conclui a Saqi.

Autor de 34 romances, mais de 350 contos, cinco peças de teatro e de dezenas de argumentos para cinema, Mahfouz é considerado um dos mais disciplinados escritores de todos os tempos: escreveu sempre uma hora por dia, ao longo de sua carreira de 70 anos, fumou sempre três cigarros diariamente e caminhou sempre ao longo das margens do Nilo, no Cairo, todas as manhãs.

Todas as semanas, desde os anos de 1950, até perto da morte, tinha um encontro informal com autores da nova geração, artistas e leitores.

O atentado de 1994 verificou-se após a ‘fatwah’ decretada pelo líder iraniano Ayatollah Khomeini, contra o escritor inglês Salman Rushdi, pelo livro “Versos Satânicos”, que Naguib Mahfouz condenou, tomando posição contra o apelo à violência.

Mahfouz nasceu em 1911, em Gamaliya, nos arredores do Cairo. Publicou a primeira coletânea de contos em 1938, a que se seguiu o romance de estreia, “Abath al-Aqdar, em 1939, com os seus diferentes volumes, dedicados à história do Egipto, a prolongarem-se pelos anos seguintes.

Retirou-se após a Revolução de 1952, que levou ao poder Gamal Abdel Nasser, para regressar em 1961 com “O Ladrão e os Cães”. Seguir-se-iam títulos como “O Pedinte”, “Miramar”, “As Noites das Mil e Uma Noites”, “Entre Dois Palácios” e “Os Filhos do Nosso Bairro” - todos publicados em Portugal -, este último considerado pela crítica um dos mais importantes do escritor e da história da literatura árabe.

Mahfouz foi distinguido com o Nobel da Literatura em 1988. Morreu em 2006, na sua cidade, Cairo, aos 94 anos.

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