A melhor campanha de marketing de um destino não custa milhões
Durante muitos anos, tive o privilégio de trabalhar na promoção turística da Madeira. Nesse período, estabeleci centenas de contactos profissionais do sector, agentes de viagens, operadores, parceiros, de muitos mercados emissores do destino, muitos dos quais acabaram por se transformar em verdadeiras amizades.
Foi precisamente esse papel de facilitador e conhecedor do destino que me levou a organizar e acompanhar centenas de agentes de viagens e operadores turísticos em visitas de familiarização, as conhecidas FAM Trips.
O desafio era sempre o mesmo: em apenas três ou quatro dias, mostrar tudo aquilo que torna a Madeira um destino único. A natureza, a gastronomia, a cultura, o vinho, as levadas, as montanhas, o mar, as tradições e, as pessoas.
Era uma missão praticamente impossível.
Por muito bem planeado que estivesse o programa, havia sempre a sensação de que ficava muito por descobrir. E talvez essa seja uma das maiores qualidades da Madeira: consegue surpreender mesmo quando pensamos que já a conhecemos.
No final dessas visitas havia uma pergunta que surgia quase sempre:
“Qual é a melhor altura para visitar a Madeira?”
A minha resposta era invariavelmente a mesma:
Não existe uma melhor altura. Todas as alturas são boas. Apenas oferecem experiências diferentes.
A primavera traz as flores e as caminhadas (que se podem fazer todo o ano!). O verão convida ao mar e aos festivais, arraiais. O outono revela as vindimas e uma natureza em constante transformação. O inverno oferece temperaturas amenas, paisagens verdejantes e um dos mais emblemáticos programas de Natal e Fim de Ano do Mundo e arredores.
Outro aspecto que sempre me chamou a atenção era uma pergunta aparentemente simples, mas extremamente reveladora:
“Onde é que os madeirenses costumam ir?”
Raramente queriam conhecer apenas o restaurante mais conhecido ou o bar mais bem classificado. Procuravam os locais frequentados pelos residentes. Queriam experimentar os sabores que os madeirenses escolhem, ouvir as histórias contadas por quem vive na ilha e sentir o destino através dos olhos de um local.
No fundo, procuravam autenticidade.
Sabiam que eram essas experiências que, mais tarde, poderiam recomendar aos seus próprios clientes, tornando cada viagem mais diferenciadora e memorável.
Foi aí que percebi uma das maiores lições do marketing de destinos.
O melhor marketing não acontece quando lançamos uma campanha publicitária. Acontece quando proporcionamos experiências que merecem ser contadas.
Hoje, qualquer destino pode investir milhões em publicidade, produzir vídeos impressionantes ou desenvolver campanhas digitais sofisticadas. Mas nenhuma campanha consegue substituir um acolhimento genuíno, uma conversa inesperada, uma refeição inesquecível ou a descoberta daquele pequeno lugar que não aparece nos guias turísticos.
Vivemos numa época em que cada visitante é também um embaixador. Uma fotografia partilhada, uma recomendação espontânea ou uma avaliação de cinco estrelas têm, muitas vezes, mais impacto do que qualquer anúncio.
É por isso que acredito que o marketing de um destino não é responsabilidade exclusiva das entidades de promoção. É também dos hotéis, restaurantes, empresas de animação turística, comerciantes, taxistas, guias, produtores locais e até dos próprios residentes.
Todos contribuímos para a imagem que um visitante leva consigo quando regressa a casa.
A Madeira tem uma vantagem que nenhum orçamento de marketing consegue comprar: a sua autenticidade. O desafio não é inventar uma nova identidade, mas preservar aquilo que nos torna únicos e garantir que cada visitante o consegue sentir.
Porque, no final, as pessoas podem esquecer um slogan ou uma campanha.
Mas nunca esquecerão a forma como um destino as fez sentir.
Os destinos mais fortes não são aqueles que se promovem melhor. São aqueles que deixam as melhores histórias para contar.