Uma investigação por corrupção na Hungria visa empresas de comunicação pró Orbán
A polícia húngara anunciou hoje que está a investigar empresas que detiveram durante anos um quase o monopólio de contratos lucrativos de comunicação governamental sob o mandato do primeiro-ministro nacionalista cessante Viktor Órban.
Os investigadores húngaros abriram um inquérito contra a rede social X por suspeitas de "desvio de fundos e branqueamento de dinheiro".
Trata-se do primeiro inquérito na Hungria que visa empresas ligadas a pessoas próximas de Órban, desde as eleições do mês passado que puseram fim a 16 anos de poder do líder nacionalista hungaro.
O primeiro-ministro eleito Peter Magyar, que deverá prestar juramento no sábado, apelou às autoridades para evitarem que os próximos de Órban transfiram fundos para o estrangeiro na sequência da sua derrota eleitoral.
Magyar prometeu uma "mudança de regime" quando for empossado como primeiro-ministro, bem como medidas contra a corrupção e os ativos estatais "roubados".
Num comunicado publicado hoje, a polícia anunciou que os "fundos foram apreendidos e contas bancárias congeladas" no âmbito daquele caso que estão a investigar, e que outra investigação está em curso visando o mesmo grupo relativamente a "contratos sobrefaturados".
Na segunda-feira, Gyula Balasy, por vezes apelidado de "rei da propaganda" pelos meios de comunicação locais, por ter concebido as campanhas de comunicação do governo Orban, lamentou o congelamento das contas das empresas.
Balasy propôs, além disso, entregar as empresas, bem como parte dos investimentos que tinha realizado com os seus lucros, ao Estado.
Numa entrevista ao site de informação Kontroll, Balasy negou ter "algo a esconder", afirmando que está disposto a ceder voluntariamente as empresas, pois as suas capacidades são mais adequadas ao setor público.
Magyar declarou que esta entrevista indicava que o "sistema Orban poderia colapsar muito mais rapidamente do que qualquer pessoa pensava".
Mas numa mensagem posterior, o futuro Primeiro-Ministro da Hungria deu a entender que queria que Balasy prestasse contas.
"Podem ser derramadas lágrimas de crocodilo, o remorso pode ser fingido, mas não há perdão para aqueles que saqueiam o povo húngaro", declarou Magyar no Facebook.
A Hungria, país da Europa Central com 9,5 milhões de habitantes, é classificado, juntamente com a Bulgária, como o mais corrupto da UE no índice de perceção da corrupção da ONG Transparency International.