Guarda Revolucionária ameaça com "resposta firme" navios que desrespeitem diretrizes
A Guarda Revolucionária iraniana prometeu hoje uma "resposta firme" aos navios que tentem atravessar o estreito de Ormuz por qualquer trajeto que não o definido, enquanto Washington realiza uma operação para retirar do Golfo navios retidos.
"Advertimos todos os navios que ponderam atravessar o estreito de Ormuz de que a única passagem segura é o corredor previamente anunciado pelo Irão", afirmou o Exército ideológico da República Islâmica num comunicado.
"Qualquer desvio de navios para outras rotas é perigoso e desencadeará uma resposta firme da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana", indicava o comunicado divulgado pela televisão estatal.
Por sua vez, os Estados Unidos ameaçaram hoje retomar "grandes operações de combate" para obrigar o Irão a recuar se este decidisse retaliar contra a sua operação no estreito de Ormuz, após confrontos no mar e de novos ataques atribuídos a Teerão aos Emirados Árabes Unidos.
Apesar de uma escaramuça no estreito de Ormuz na segunda-feira e de novos ataques iranianos com drones e mísseis contra os Emirados Árabes Unidos hoje, pelo segundo dia consecutivo, o Presidente norte-americano, Donald Trump, absteve-se de acusar o Irão de violar o cessar-fogo, em vigor desde 08 de abril, numa conferência de imprensa.
"Eles sabem o que têm de fazer e (...) o que não devem fazer", afirmou.
Desde o início, a 28 de fevereiro, da guerra travada pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica, que já provocou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, que Teerão controla o estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica para o comércio mundial de combustíveis fósseis.
Numa tentativa de encontrar uma saída para esta situação, que está a provocar a subida vertiginosa dos preços do petróleo, Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos a 13 de abril e lançou na segunda-feira a operação "Projeto Liberdade" para permitir que centenas de navios retidos no Golfo Pérsico atravessassem o estreito.
Teerão retaliou na segunda-feira com ataques de mísseis e drones contra navios militares norte-americanos --- intercetados, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM) --- e contra os Emirados Árabes Unidos, no primeiro ataque contra um Estado do Golfo Pérsico desde o cessar-fogo.
Hoje, Abu Dhabi indicou ter novamente ativado as suas defesas aéreas para intercetar mísseis e drones disparados do Irão.
Os Estados Unidos não podem "permitir que o Irão bloqueie uma rota marítima internacional", insistiu o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth.
"Se atacarem tropas norte-americanas ou navios comerciais inocentes, enfrentarão uma força norte-americana esmagadora e devastadora", alertou.
O Exército "está pronto para retomar grandes operações de combate contra o Irão", assegurou o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos e os seus aliados de "colocarem em risco" a segurança dos transportes marítimos.
"Há pouca clareza sobre a forma como o 'Projeto Liberdade' garantirá uma retirada segura, e não há quaisquer garantias por parte do Irão", alertou a Federação Internacional dos Trabalhadores dos Transportes (ITF), apelando para que os cerca de 20 mil marinheiros atualmente "mantidos reféns" no Golfo Pérsico não sejam colocados em perigo.
O CENTCOM afirmou, apesar dos desmentidos iranianos, que dois navios mercantes com pavilhão norte-americano atravessaram na segunda-feira o estreito de Ormuz, sob escolta militar.
A operação, marcada, segundo o Exército norte-americano, pela destruição de seis embarcações iranianas, "está a correr muito bem", congratulou-se Trump.
O armador gigante dinamarquês Maersk anunciou também na segunda-feira a partida de um dos seus navios, "acompanhado de recursos militares norte-americanos", que estava retido no Golfo desde o início da guerra.
Teerão também negou qualquer dano nos seus navios, acusando os Estados Unidos de matar cinco civis ao atacar duas embarcações que viajavam de Omã para a costa iraniana.