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A Guerra Mundo

Russos perderam terreno em Abril

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Um instituto internacional indicou hoje que a área controlada pelos russos na Ucrânia diminuiu cerca de 120 quilómetros quadrados (km2) entre março e abril, algo que não acontecia desde a contraofensiva ucraniana do verão de 2023.

De acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), que analisa os dados divulgados pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), depois de mais de quatro anos de guerra em grande escala, os combates intensos continuam incessantemente na linha da frente, enquanto as difíceis negociações diplomáticas estão suspensas desde o início da guerra no Médio Oriente, em Outubro de 2023.

Moscovo propôs recentemente uma breve trégua para as comemorações, a 09 de maio, na Rússia, da vitória soviética sobre a Alemanha nazi, enquanto Kiev exige um cessar-fogo prolongado para favorecer negociações, algo que o Kremlin recusa.

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O recuo das forças de Moscovo reportado pelo ISW não é, no entanto, total: militares russos continuam infiltrados em três quartos das zonas onde a Ucrânia recuperou terreno.

Embora os ganhos ucranianos em abril sejam os primeiros em dois anos e meio, permanecem marginais: 120 km2 representam apenas 0,02% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e o Donbass.

O exército russo envia continuamente pequenos grupos de soldados para ocupar posições em partes da frente, composta por zonas móveis com vários quilómetros de largura, permanentemente expostas a ataques de drones, onde se ocultam para posteriormente facilitar o avanço do grosso das tropas.

Estas operações de infiltração em zonas que a Rússia não controla totalmente não são contabilizadas nas estimativas dos territórios detidos por cada lado.

O avanço de Kiev insere-se na tendência de abrandamento dos progressos russos desde dezembro de 2025, ao ponto de as forças de Moscovo terem registado quase nenhuma progressão em território ucraniano em março (23 km2).

"Os contra-ataques terrestres e os ataques de médio alcance ucranianos, o bloqueio da utilização russa dos terminais Starlink na Ucrânia em fevereiro de 2026 e a repressão do Telegram pelo Kremlin agravaram problemas já existentes no seio do exército russo", indicou o instituto.

O ISW apontou um possível efeito de "tendências sazonais", com o degelo dos solos e as chuvas primaveris a "degradarem as condições" de mobilidade das tropas.

Em abril, sem grandes avanços, o exército ucraniano conseguiu progredir em vários pontos ao longo da linha da frente: cerca de 40 km2 em cada uma das três regiões de Zaporijia, Kharkiv e Donetsk. 

A Rússia conquistou, contudo, alguns quilómetros quadrados a leste de Kramatorsk (Donetsk).

Estas estimativas excluíram também os avanços reivindicados pelo lado russo, mas não confirmados nem refutados pelo ISW, que trabalha em conjunto com o Critical Threats Project (uma iniciativa do American Enterprise Institute, AEI), outro centro de investigação norte-americano especializado no estudo de conflitos.

Mais de quatro anos depois do início da invasão russa da Ucrânia, a Rússia ocupa cerca de 19% do país, incluindo 7% na Crimeia e nas zonas da bacia industrial do Donbass, já sob controlo russo ou de separatistas pró-russos antes da invasão de fevereiro de 2022. 

A maioria dos avanços russos ocorreu nas primeiras semanas do conflito.