As mudanças climáticas não respeitam fronteiras

Sou pessoa de muitas dúvidas, de parcos ou zero conhecimentos científicos e de muito menos certezas, mas de firmes convicções. Sei aquilo que a vida me foi ensinando com o que e com quem colocou no meu caminho. Com enganos e desenganos, fez de mim o que sou hoje. Nem eu nem ninguém pode dar nada por garantido, mas posso afirmar com certeza absoluta que, até ao final deste sec., já não pertencerei ao número dos vivos, a não ser noutra reencarnação, para quem acredite nisso. Os que estão a nascer agora e os que lhe sucederão não encontrarão o mesmo mundo do que eu, nem tão pouco a minha/nossa adorada ilha.

Vivemos já com alguma perturbação as consequências das alterações climáticas em todo o Universo e até o final do século, agravar-se-ão drasticamente segundo as previsões/projecções de estudos realizados por cientistas e outros conceituados intervenientes no processo de investigação. São lançados regularmente vários alertas para que sejam tomadas medidas para minimizar as causas e adaptar-se às alterações que surgirão.

Tendencialmente teremos anos cada vez mais quentes, cada vez menos precipitação, mais ondas de calor, tempestades mais frequentes e fenómenos extremos a que não estamos habituados. Sou completamente leiga na matéria e vou reduzir-me ao que chega ao meu conhecimento e ao que os meus sentidos conseguem alcançar. Prevê-se a subida da temperatura e do nível da água do mar que, relativamente à costa do Porto Santo será aproximadamente na ordem dos 80/100 cm. Este aumento é acompanhado de tempestades marítimas mais frequentes que vão desgastando as estruturas de toda a costa. No caso do Porto Santo, o impacto energético na praia pode atingir e desgastar a base das dunas pondo em causa a sua sustentabilidade e as taxas de perda de sedimentos da nossa praia serão ainda mais rápidas. (Dados recolhidos no programa sobre alterações climáticas” na RTP Madeira),

É preciso, atempadamente e com seriedade actuar em conformidade. Todos nos lembramos da devastação causada na nossa praia pelo temporal de Março de 2018, cujas consequências continuam bem visíveis. Até hoje não se efectuou a recuperação das dunas. Se é possível mitigar de alguma forma os efeitos das alterações climáticas no meio envolvente mudando comportamentos, então, não me parece, de todo, aceitável repetir erros do passado permitindo a construção de imóveis junto à orla marítima, sobre as dunas ou na área subjacente. Não sou eu que digo. São os factos que o atestam.

Precisamos de turismo numa ilha cuja sazonalidade é dele dependente, mas não precisamos de turismo de massas, outrossim de turismo de qualidade para bem estar de quem está e de quem chega. Não pretenderemos todos um desenvolvimento sustentável, uma ilha livre de combustíveis fósseis, uma ilha verde??? Como se pensa fazer isso quando não há limites na de entrada de veículos motorizados na ilha diariamente durante toda a época estival??? Se a população flutuante, tão desejada, quintuplica em relação ao n.° de residentes, porque não se multiplicam também as infraestruturas básicas indispensáveis na mesma proporção?

Sermos Reserva da Biosfera não nos obriga à observância de critérios de rigor na gestão, organização e sustentabilidade harmoniosa do ambiente e da população?

Para podermos agir, cooperar e melhorar, será pertinente, enquanto sociedade, saber o que deverá ser feito, porque este é um problema impactante que toca a todos.

Especialmente aos que amam a sua Terra.

Madalena Castro