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Fact Check Madeira

Agentes da PJ estiveram na Câmara do Porto Santo?

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É um assunto que correu na passada sexta-feira de boca em boca na sociedade do Porto Santo e rapidamente se espalhou pela ilha até se tornar um verdadeiro falatório em surdina: “Agentes da Polícia Judiciária estão [ou estiveram] toda a manhã na Câmara Municipal do Porto Santo”. Será verdade?

Antes de saber se assim foi, é necessário contextualizar a origem e o motivo da notícia ter corrido de uma ponta à outra da ilha e de a mesma ter chegado à redacção do DIÁRIO, por várias formas, numa tentativa da mesma ser averiguada e ser posteriormente noticiada. 

Nesse dia, elementos da PJ marcaram presença no tribunal local no âmbito de diligências previamente programadas e numa acção normal para ouvir um conjunto de pessoas arroladas em processos de investigação que estão a decorrer na ilha.

Ora, como o meio é pequeno e como as pessoas praticamente se conhecem umas às outras, o que permite um grau maior de familiaridade e de confiança diferente de outras latitudes urbanas, rapidamente se soube que havia gente ‘estranha’ na ilha. E essa gente pertencia de facto à PJ.

A juntar a toda esta curiosidade a entrada de testemunhas para os respectivos depoimentos gerou ainda mais suspense. O enredo tinha tudo para ser explorado. Mais a mais, continuavam a chegar ‘dicas’ que a PJ teria ido à edilidade.

Logo a questão que se impunha era saber se algum inspector tinha efectuado alguma diligência nos serviços camarários, ainda que a resposta comum dos interlocutores era sempre idêntica: “Disseram-me que sim”. Havia que tirar a limpo.

Nessa altura já a redacção estava em alerta porque entretanto outros contactos voltaram a acontecer.

O DIÁRIO contactou o presidente do município e do outro lado da linha, Nuno Batista, num discurso perfeitamente despreocupado e até humorado, afirmou: “Por acaso temos um processo de licenciamento cá dentro, julgo que é de um senhor agente da Polícia Judiciária”, começou por comentar, ironizando a curiosidade que estava a decorrer alguma diligência nos serviços ou simplesmente apenas uma notificação.

O autarca mostrou-se sempre tranquilo e bastante prestativo, ao ponto de mandar esperar em linha porque iria perguntar à funcionária se algum agente teria estado naquele dia na edilidade. A plenos pulmões ouviu-se a pergunta que fez à colaboradora. “Não sei se ouviu a resposta mas se não ouviu, a resposta é não. Não esteve cá a PJ”, transmitiu fazendo eco daquilo que ouvira instantes antes.

Insistimos no cruzamento da informações tentando refinar ainda mais as dúvidas dos leitores locais que continuavam a insistir que a PJ teria estado na Câmara. Só que, passado alguns minutos, tínhamos a reconfirmação, desta por outra fonte que não nos deixam dúvidas de que não havia qualquer fundamento real da presença de elementos da PJ na autarquia.

Queixa no MP

Há pouco mais de um ano, o vereador Luís Bettencourt formalizou uma queixa-crime no Ministério Público do Porto Santo contra o presidente da autarquia por suposto “peculato e favorecimento a um compadre”. A notícia foi tornada pública. Além disso tem sido frequente as denúncias públicas acompanhadas de vídeos e fotografias do vereador no domínio de licenciamentos ilegais, portanto não estranha que desde então tenha existido processo de averiguações. 

Em Abril de 2023, Nuno Batista refutou as denúncias de que era alvo dizendo estar disponível para esclarecer o que houvesse para clarificar, mas não esqueceu de enviar um recado a quem lhe apontava o dedo: “Nunca na vida fui condenado por difamação, por burla ou falsificação de documentos ou outros. Se for chamado responderei, mas tenho a certeza que esse assunto morrerá porque nada do que diz é verdade”. 

A PJ esteve nos Paços do Concelho