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Cuba tem mais de 1.000 presos "políticos e de consciência", denuncia ONG

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Foto EPA

A organização não-governamental (ONG) Defensores dos Prisioneiros denunciou esta segunda-feira que existem em Cuba 1.002 presos "políticos e de consciência" que foram condenados à prisão ou sofrem "limitação de liberdade" sem qualquer "supervisão judicial".

A organização com sede em Madrid assegurou, através de um comunicado, que havia 272 presos "políticos" no início de agosto de 2021.

No entanto, nos últimos 12 meses, até 31 de julho, 1.251 pessoas foram presas por razões políticas no país, 887 destas após os protestos contra o governo, ocorridos em 11 de julho de 2021, acrescentou a ONG.

"Todos são torturados, como demonstra o estudo detalhado de 101 casos aleatórios denunciados pelos Defensores dos Prisioneiros perante o Comité das Nações Unidas Contra a Tortura (CAT)" apresentado em março, salientou a Defensores dos Prisioneiros.

De acordo com os casos que a ONG conseguiu "verificar", entre os que ainda cumprem pena ou medidas cautelares há "38 menores no total".

Destes, 26 foram "já condenados", 16 por "sedição", a uma pena média de "cinco anos de prisão".

No total, 171 manifestantes já foram condenados por "sedição".

Outros 697 presos "de consciência" cumprem penas de 01 a 25 anos, enquanto outros foram condenados a 30 anos e até a "prisão perpétua" (12 destes).

Pelo menos 122 mulheres continuam com "processos e condenações políticas e de consciência".

Ao todo, são 729 "condenados de consciência" privados de liberdade, enquanto outros 242 têm liberdade limitada e outros 31 são "presos políticos".

Cuba atravessa a pior crise económica desde há 30 anos, com crescente escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis.

As manifestações de insatisfação com as autoridades são muito raras em Cuba e ainda mais desde os protestos de 11 de julho de 2021, quando milhares de cubanos saíram às ruas em 50 cidades, gritando "Liberdade" e "Nós temos fome".

Estes protestos, inéditos desde a revolução de 1959, causaram um morto e dezenas de feridos, com mais 1.300 pessoas detidas, segundo a organização não-governamental Cubalex, sedeada em Miami, nos EUA.

Segundo o governo, 790 manifestantes foram acusados, dos quais 488 já foram condenados, alguns com penas até 25 anos de prisão.