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Israel e a Jihad Islâmica Palestiniana acordam cessar-fogo após três dias de combates e 44 mortos

Foto EPA/HAITHAM IMAD
Foto EPA/HAITHAM IMAD

Israel e a Jihad Islâmica Palestiniana (JIP) acordaram este domingo um cessar-fogo, para colocar fim a uma escalada de violência de três dias, que deixou pelo menos 44 palestinianos mortos, incluindo 15 crianças, e mais de 360 feridos.

O acordo de cessar-fogo, mediado pelo Egito e anunciado pela Jihad Islâmica e Israel, entrou em vigor às 23:30 horas locais (21:30 em Lisboa) de domingo, mas foi antecedido e seguido pelo lançamento de uma série final de projéteis de artilharia a partir de ambos os lados beligerantes na Faixa de Gaza.

A situação acalmou, entretanto, pelo menos durante as horas seguintes, e a manter-se assim, este acordo marca o fim de três dias sangrentos de trocas de tiros e artilharia, iniciadas na sexta-feira por uma ofensiva israelita em Gaza.

Após múltiplas tentativas falhadas, as negociações para uma cessação das hostilidades foram concluídas com êxito com a visita de uma delegação egípcia à Faixa de Gaza, onde os pormenores foram finalizados.

O Egito voltou a desempenhar o papel de mediador entre Israel e as milícias palestinianas, à semelhança do que protagonizou durante a anterior escalada da violência em maio de 2021.

Durante os últimos três dias de hostilidades, a Jihad Islâmica disparou mais de 930 'rockets' de Gaza para Israel, segundo estimativas do exército israelita, a grande maioria dos quais caiu em áreas despovoadas ou foi intercetada pelo sistema de defesa aérea israelita, segundo a mesma fonte.

Os bombardeamentos israelitas, em contrapartida, atingiram mais de 160 alvos, alegadamente pertencentes ao grupo armado JIP. Estas incluíam instalações de fabrico e armazenamento de armas, locais de lançamento de foguetes e uma rede de túneis alegadamente utilizados pelo grupo, considerado "terrorista" por Israel, pelos Estados Unidos da América e pela União Europeia.

O exército israelita lançou a sua operação na sexta-feira, que anunciou como um "ataque preventivo", contra a Jihad Islâmica, no qual os seus principais líderes militares em Gaza, Tayssir Al-Jabari e Khaled Mansour, foram mortos, juntamente com vários combatentes do grupo.

As mortes dos líderes militares foram confirmadas pela Jihad Islâmica.

O primeiro-ministro israelita, Yair Lapid, descreveu o ataque que matou Khaled Mansour no sábado como um "resultado extraordinário".

As autoridades israelitas justificaram a operação lançada na sexta-feira pelo seu receio de represálias por parte da Jihad Islâmica após a detenção de Bassem al-Saadi em 01 de agosto na Cisjordânia, um território palestiniano ocupado por Israel.

Nos últimos dois dias, cerca de 40 membros da Jihad Islâmica foram presos pelas forças israelitas na Cisjordânia.

Na Faixa de Gaza, 17 palestinianos, incluindo nove crianças, foram mortos este domingo em resultado de rusgas do exército israelita em Jabaliya, Cidade de Gaza e Rafah, segundo o movimento armado palestiniano Hamas, no poder neste enclave sob bloqueio israelita há mais de 15 anos.

Desde o início desta operação israelita contra a Jihad Islâmica na sexta-feira, 44 palestinianos foram mortos, incluindo 15 crianças e 360 foram feridos, de acordo com fontes palestinianas.

O diretor do hospital al-Shifa em Gaza fez saber que as instalações sob a sua responsabilidade necessitam urgentemente de medicamentos e eletricidade para continuar a cuidar dos feridos.

A única central elétrica de Gaza foi encerrada no sábado devido à falta de combustível, quatro dias depois de Israel ter encerrado as estradas de ligação ao enclave citando preocupações de segurança.

De acordo com Mohamad al-Hindi, que dirige o departamento político da Jihad Islâmica em Gaza, as condições do acordo de cessar-fogo incluem o abrandamento do bloqueio israelita a Gaza, a entrada de combustível para a reativação da central elétrica e a libertação de um membro do grupo encarcerado por Israel.

Este prisioneiro é Bassem Saadi, um líder superior do grupo, cuja detenção por Israel na Cisjordânia ocupada na passada segunda-feira marcou o início da tensão que culminou na escalada, a mais sangrenta em mais de um ano.