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PCP diz ser preciso "averiguar os factos" nas suspeitas de crime que envolvem Vieira

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O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje que "é preciso averiguar os factos" e decidir "em conformidade", a propósito da detenção do empresário e presidente do Benfica Luís Filipe Vieira.

Questionado à margem de um encontro com organizações representativas dos trabalhadores da Altice, na Casa do Alentejo, em Lisboa, o dirigente comunista disse que "é preciso averiguar os factos" e, na sequência do que "resultar desse processo" de investigação, "responsabilizar quem deve ser responsabilizado".

Jerónimo de Sousa disse desconhecer pormenores do processo que envolve Luís Filipe Vieira, razão pela qual preferiu não se alongar em comentários, mas considerou que é necessário "decidir em conformidade com a gravidade" dos crimes que alegadamente terão sido cometidos.

Interpelado também sobre a proximidade declarada em várias ocasiões pelo empresário com o PCP, Jerónimo de Sousa rejeitou haver qualquer pertinência nessa questão e apontou até para apoios declarados de Vieira ao PS em outros momentos.

"Isso não tem nada que ver com a questão de fundo. Marcelo Rebelo de Sousa foi à Festa do Avante! e ninguém o excomungou por causa disso", sustentou.

O presidente do Benfica e empresário Luis Filipe Vieira foi hoje detido numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros com prejuízos para o Estado, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

Uma nota do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) indica que foram detidos um dirigente desportivo, dois empresários e um agente do futebol e realizados cerca de 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária, em Lisboa, Torres Vedras e Braga.

No comunicado do DCIAP, é indicado que os detidos são suspeitos de estarem envolvidos em "negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades".

Em causa, adianta, estão "factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente" e suscetíveis de serem "crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento".

Está previsto que os quatro detidos sejam presentes na quinta-feira a primeiro interrogatório judicial com vista à aplicação de medidas coação, "com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e prevenir a consumação de atuações suspeitas".