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O poio (I)

Os avós, pais, sobrinhos, filhos e netos reuniram-se, nos metros quadrados de terreno, que outrora, fora de colonia e berço da família.

Os séniores evocaram a memória dos tempos de criança, em que diariamente, tinham de cuidar da terra, amanhá-la, lançar as sementes, regá-la, para fazer nascer os produtos agrícolas, sustento da família.

“A Madeira é a epopeia do trabalho, a glorificação do esforço humano. Tão presente está por toda a parte a influência do homem, o fruto magnífico da sua labuta heróica, o rude afago das suas mãos calosas e ásperas, que a paisagem, por

assim dizer, se embebeu dessa presença e se humanizou.” (Alberto Vieira ,2017, “A paisagem madeirense”, pg. 6)

Uma foto, a preto e branco, mostrava a tia, a mãe e os filhos, pequenos, os pés cobertos com alegra campo porque não tinham sapatos. A imagem relembrou esses tempos de infância, e que sempre lembram da vizinha, parteira, que muitas vezes lhes saciou a fome. Descalços, percorriam os poios e suas veredas, sentindo-os.

Com a chegada da idade adulta, a busca por melhores condições de vida, os percursos a pé até à cidade, em muitas horas, por muitos quilómetros, na busca de melhores condições para viver. Os filhos partiram, foram construir suas vidas.

Os que ficaram na ilha, sabendo notícias dos que tinham partido, quiseram arriscar. A espera, a chegada da carta de chamada, depois a partida.

Meses mais tarde, a primeira carta, escrita com a ajuda de alguém que sabia ler e escrever e lhes ditavam as dificuldades de ser emigrante, longe da sua ilha e dos seus familiares. Pelo Natal, alguma carta, era recebida, com algum dinheiro e umas breves linhas escritas, a algum familiar ou amigo.

Uma outra carta, de outro filho, alguns anos após ter emigrado, chamou a restante família e que, os filhos nas suas primeiras linhas contaram das suas expectativas, do que estavam conseguindo, como o tratamento dos dentes, matricular-se nalgum curso, que na sua ilha não tinham conseguido.

João Freitas

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