Espanha: justiça independente?

O Estado espanhol está investir múltiplos recursos para divulgar, interna e externamente, o excelente nível de sua democracia, a separação de poderes, a independência judicial, etc. Quando um Estado exerce tal actividade de propaganda é devido ao reconhecimento da sua própria fraqueza, ou melhor, da vontade manipuladora de encobrir a sua própria vergonha. Mas não há nenhuma campanha possível que possa contrariar o facto de os representantes políticos e os dirigentes civis catalães se encontrarem em prisão preventiva há mais de um ano, com base numa instrução fabulosa. No julgamento, com um tribunal escolhido para a ocasião, as formalidades são cumpridas em relação ao exterior, mas violando os direitos básicos dos presos: idiomáticos (não se lhes permites testemunhar na sua própria língua, o catalão, e têm de o fazer em castelhano, a sua segunda língua, para não ter de haver tradução simultânea) e de saúde (durante vários meses, terão que fazer cinco ou seis longas viagens por semana da prisão em más condições e, no final das sessões, têm que voltar à prisão e adaptar-se aos seus horários, dificultando o contato com os advogados). Aplicar as regras habituais a um processo que durará meses, sem considerar que o esgotamento físico e psicológico do acusado afetará sua própria defesa, deixa em evidência uma Justiça que procura ratificar uma punição exemplar decidida previamente.