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Madeira na linha da frente

O nosso inimigo não está em Lisboa, nem está na Madeira. Os nossos inimigos são o desemprego, o abandono escolar e as listas de espera na saúde

Vivemos um momento único na vida da nossa Região. Pela primeira vez, desde o 25 de Abril, os madeirenses e porto-santenses demonstram uma efetiva vontade de mudar, após mais de 40 anos de governos da mesma cor política. Com o que tiveram de bom e de mau, esses são, no essencial, pedaços de um tempo que já passou e essa é a grande fronteira que nos traz ao momento que vivemos hoje: percebermos que aquilo que nos falta é construir um futuro, em vez de continuar a viver do passado. A nova página de alternância democrática está aqui, bem à vista de todos, ante a incapacidade deste Governo Regional em responder aos problemas das pessoas, em apresentar soluções e em definir um rumo para o desenvolvimento da Região.

Este é um momento em que nos cabe a todos estar à altura da responsabilidade. E eu sei a minha, mas ainda mais do que isso, sei a confiança que as pessoas depositam em mim. É isso que faz a diferença no projeto que lidero para a Região, com uma proposta de desenvolvimento para 10 anos, olhando para o que a Madeira deve querer ser em 2030, a partir da diversificação da economia, da melhoria das condições de saúde, do investimento na educação dos nossos jovens e do conhecimento, na garantia de um modelo inclusivo, democrático e participado.

Tal como tantos e tantos madeirenses, estou cansado daqueles que só criticam quem se digna a apresentar novas ideias e soluções para os problemas, optando, em vez, por mostrar as mesmas caras e a mesma toada belicista de sempre, procurando bodes-expiatórios fora da ilha, e o profético inimigo externo, para camuflar os seus próprios fracassos internos enquanto governo.

É tempo de mudar. É tempo de ser pelo diálogo, pelas soluções e pelo futuro. É tempo de promover a cooperação em vez do confronto, a serenidade em vez da irritabilidade, a responsabilidade em vez da acusação. É tempo de afirmar a nossa Autonomia. Uma Autonomia que não é um capricho dos madeirenses, que não se reduz às aspirações legítimas de autogoverno, nem pode ser unicamente uma arma de arremesso político, seja contra o Governo da República, seja, agora, contra o Presidente da República. Há quem queira recuperar a estratégia bafienta do “orgulhosamente sós”, porque lhes dá jeito, fazendo com que as Ilhas sejam mais ilhas, a insularidade seja aumentada, e os madeirenses estejam mais isolados e distantes do Mundo. Porque lhes dá jeito.

Mas a Autonomia não foi pensada para nos afastar, nem foi criada para dividir, colocando a Madeira contra o Continente e madeirenses contra madeirenses, portugueses contra portugueses. A Autonomia existe para nos unir, enquanto povo e enquanto nação, mobilizando-nos para juntos, enquanto portugueses e madeirenses, desenvolvermos a nossa terra, desenvolvermos a Madeira e o Porto Santo e prosperarmos enquanto país.

O nosso inimigo não está em Lisboa, nem está na Madeira. Os nossos inimigos são o desemprego, o abandono escolar e as listas de espera na saúde, e a Autonomia é a resposta mais eficaz com que podemos encará-los a todos, com uma visão global de desenvolvimento que possibilite não só o crescimento económico, mas uma coesão social e a sustentabilidade ambiental. É nesse sentido que estamos a desenvolver o nosso projeto para a Região, através dos Estados Gerais, que culminarão com a apresentação de um Programa de Governo para a década.

A Madeira não pode ficar mais para trás, neste comboio europeu do desenvolvimento, o que também exige que digamos presente numa Europa que está a enfrentar todos os dias desafios que nos convocam a tomar posição. É isso que devemos fazer, já em maio, nas eleições para o Parlamento Europeu. Essa é uma oportunidade, por excelência, para defender a Madeira na Europa e a Europa na Madeira, porque a Europa não é algo distante, é bastante próxima. Basta ver como esta Região se desenvolveu com o apoio dos fundos comunitários, mas como ainda precisa de desenvolver-se em tantas outras áreas que esperam uma resposta europeia, para podermos ter um território com menos assimetrias, menos desigualdades e com uma sociedade mais coesa.

Somos e continuaremos a ser uma Região Ultraperiférica, de pequena dimensão, com uma topografia e clima difíceis, e dependentes economicamente. Precisamos, pois, de políticas certas para obter resultados certos, precisamos da solidariedade da União Europeia e precisamos de um Governo Regional que seja competente na gestão e execução dos fundos comunitários, e justo na sua distribuição, de forma equitativa e equilibrada por toda a Região. É esta a nossa visão e é esta a Madeira na Europa que queremos: com convicção, com investimento virtuoso e com sentido de interesse público e estratégico, não deixando ninguém para trás e estando na linha da frente.