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Simples: para eles a Madeira não conta

Com 2019 a chegar ao fim podemos fazer um balanço do ano eleitoral vivido.

Ao nível nacional o ciclo político no final desta década proporcionou um crescimento da representação da esquerda parlamentar. Proporcionou também o aparecimento de novos Partidos eleitos nos principais círculos urbanos. Sem esquecer o propósito da nossa análise até para melhor a entender, não devemos descurar uma olhar rápido sobre as eleições regionais. Os resultados das últimas eleições regionais ditaram que na Madeira houvesse uma redução dos Partidos representados na ALRAM. Contudo, houve mais eleitores a exercerem o seu direito. Rapidamente se explica o fenómeno da bipolarização de votos que houve a 22 de Setembro.

Nesse dia o PS-Madeira conseguiu o melhor resultado de sempre em termos de votos expressos. Esta subida devia motivar as hostes nacionais do Partido Socialista. Apesar de ao final de 43 anos continuarem a perder, a verdade é que hoje perdem por menos do que no passado. Todavia não é isso que se verifica. Apesar do excelente resultado a nível regional e da igualdade obtida em número de mandatos para as legislativas nacionais, igualando assim a melhor representação de sempre, o PS Madeira não tem, no maior governo de sempre da história da Democracia, um madeirense.

Ao contrário do que alguns que defendem que há duas secretarias de estado que assentariam bem a qualquer madeirense, eu não iria tão longe. Confinar a participação da Madeira na política Nacional às Comunidades ou ao Turismo é bastante redutor atendendo ao talento e capacidade de trabalho dos Madeirenses.

Ao lerem isto, muitos dirão que sou intelectualmente desonesto pois nas governações social-democratas nem sempre houve madeirenses em lugar de relevo. Seja no Governo da República ou na composição de um dos órgãos de soberania nacional que é o nosso Parlamento. De facto, a experiência Governativa de Correia de Jesus como Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentar entre 1985-1987 e como Secretário de Estado das Comunidades entre 1987-1991, a que se soma a Vice-Presidência da Assembleia da República- entre 1987-1991- e a liderança do Grupo Parlamentar do PSD entre 2002 e 2005 por parte do Dr. Guilherme Silva pode saber a pouco. Mas exactamente por isso é que defendemos que o nosso Partido era, é e será sempre a Madeira e a nossa meta o aprofundamento, capacitação e valorização do seu Povo. Os deputados do PSD Madeira chegaram a votar contra orçamentos do seu partido e, mais recentemente, a furar a disciplina de voto quando a esquerda não quis resolver o Banif.

Sendo certo que a naturalidade não deve ser critério para escolher seja o que for, a mensagem é muito mais simples. A política da mão estendida para com o poder central por parte dos socialistas locais obteve uma resposta muito clara: para o PS, no maior Governo da Democracia Portuguesa, a Madeira não conta.

Serão os deputados do PS eleitos pela Madeira capazes de lutar por uma Revisão Constitucional que permita a criação de um sistema fiscal próprio para a Região? Pressionar António Costa para resolver o problema da mobilidade aérea e marítima para com a Madeira? Serão capazes de obrigar Costa a cumprir o que prometeu nas Regionais, ou tem dúvidas de que os madeirenses terão de contar mais uma vez com o PSD Madeira como único defensor da melhoria de condições de vida na nossa terra?