Quem me devolve o dinheiro?

Cerca de cinco anos após a primeira fase de privatização dos CTT, a degradação do seu serviço público prestado tem sido evidente. Um desgaste que se percebe em diversas situações. Por exemplo, no processo natural de renovar o meu cartão de cidadão, que diga-se de passagem é outro serviço que vai de mal a pior. Não faz sentido as horas e horas que se esperam para tratar de certos assuntos. Mas após horas e horas de espera, lá tratei da renovação, ficando a aguardar uma carta com um PIN para que depois pudesse levantar o cartão. E passou uma semana (tempo máximo) e nada. Sim, porque fiz questão de pedir com urgência e pagar mais para que este chegasse mais rápido. Ainda esperei mais alguns dias, mas nada chegou. Fui reclamar à Loja do Cidadão, pois pensava que o problema seria da mesma. Mas não. Consta que a carta saiu a tempo e horas, mas não chegou ao seu destino final. Quem é o culpado então? O serviço de correios. “Serviço” esse que deixou de ser um instrumento de coesão social e territorial, para se tornar numa empresa atrativa para ser vendida e privatizada. Para além disso, por mais incrível que pareça, não parece haver um lugar em que eu possa reclamar a carta “desaparecida”. Fui-me informar junto de um posto dos CTT e a funcionária nem me soube dizer o que fazer. O local de distribuição dos correios foi recambiado do edifício 2000 para o Tecnopolo, mas e cito a própria funcionária, “ninguém estará lá para o receber”. É que chamar “serviço público” a isto, faz-me confusão. E o dinheiro que paguei a mais? Não o posso pedir à Loja do Cidadão, porque fez o seu trabalho. E também não o posso pedir aos CTT, porque não fui a eles que dei o dinheiro. É um pequeno exemplo pessoal de que isto está muito mal. É o primeiro passo para o desaparecimento de um estado soberano.