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A Venezuela, a mobilidade eléctrica e a nossa Saúde

1 - Como madeirense que tem família na Venezuela, que já visitou esse maravilhoso país por várias vezes (sempre a convite de familiares) e que o adora, comprometo-me publicamente a defender todos os elementos da nossa comunidade, que são tão portugueses quanto todos os outros! É nas dificuldades que temos de estar presentes e ajudar quem precisa! O silêncio e a inação de alguns responsáveis políticos, não é admissível. Ou a Venezuela só era boa para visitas e festas? Exigem-se respostas adequadas!

2 - A Tarifa Verde da CMF não tem razão de existir e devia ser extinta, tornando o estacionamento gratuito uma realidade para todos os proprietários de veículos elétricos. De igual forma, todos os Municípios da Madeira deviam seguir o bom exemplo da Câmara Municipal do Funchal e tornar gratuito o estacionamento destes veículos em todos os Concelhos da RAM, tornando a RAM uma Região Verde!

Para ajudar a CMF e as restantes Câmaras Municipais a fazerem da Madeira e o Porto Santo um exemplo a nível nacional, em termos de mobilidade elétrica e promoção de uma mobilidade mais amiga do ambiente, deixo aqui a legislação nacional:

O decreto-lei 90/2014 de 11 de junho, define os veículos eléctricos no nº 1 do artigo 3º: “1 – Consideram-se veículos eléctricos, o automóvel, o motociclo, o ciclomotor, o triciclo ou o quadriciclo, dotados de um ou mais motores principais de propulsão eléctrica que transmitam energia de tração ao veículo, incluindo os veículos híbridos elétricos, cuja bateria seja carregada mediante ligação à rede de mobilidade eléctrica ou a uma fonte de eletricidade externa, e que se destinem, pela sua função, a transitar na via pública, sem sujeição a carris.”

O decreto-lei 90/2014 de 11 junho, formaliza o dístico identificativo, no nº 4 do artigo 3º:

“4 – Os veículos elétricos devem afixar, para efeitos de circulação nas vias públicas ou equiparadas, o dístico identificativo que consta do anexo I ao presente decreto-lei, que dele faz parte integrante, sendo este o elemento identificativo a nível nacional para efeitos de identificação e usufruto de mecanismos de discriminação positiva de veículos elétricos, designadamente para efeitos de estacionamento.”

Apenas com o seguimento e o respeito pela lei nacional, torna-se muito mais fácil promover uma discriminação positiva deste tipo de veículos para efeitos de estacionamento. A Tarifa Verde da CMF é assim perfeitamente dispensável e inútil. A CMF e as outras Câmaras Municipais devem ter apenas em conta o dístico azul que identifica o veículo elétrico e atribuir a estes veículos o benefício de estacionar de forma gratuita. Esperemos por boas novidades a este nível e no aumento de postos de carregamento eléctrico por toda a ilha, tornando-a mais verde em todos os sentidos.

3 - Recentemente foi notícia que os nossos indicadores em relação aos doentes oncológicos têm vindo a melhorar, são detectados mais casos mas as pessoas vivem mais, mas falta a comparação com outras realidades e saber se os nossos doentes oncológicos têm a mesma esperança de vida de outras regiões do país e em que lugar estamos no ranking da Saúde nacional. Falar é fácil, apresentar resultados e compará-los com os melhores é que é muito difícil.

Noutro plano, mas na nossa Saúde, penso que não é segredo nenhum que temos falta de anestesistas e que o problema tem vindo a se agravar nos últimos anos, com tendência a continuar a piorar, limitando o desempenho de todas as especialidades cirúrgicas.

Como utente e contribuinte, lamento o facto do SESARAM optar quase sempre pelos ajustes directos e não por concursos públicos, abusando ao máximo das possibilidades legais que tem para usar esse método e não optar por um processo mais moroso e trabalhoso, mas claramente mais transparente e se calhar mais benéfico, como é o concurso público. O problema vem de base: falta de gestão estratégica, falta de visão e antecipação e uma clara e ineficaz “navegação à vista”, com um estilo de actuação a lembrar Pedrogão Grande durante os incêndios fatais e com o SESARAM a ser o Siresp da nossa Saúde.

3 Secretários, nem sei quantos Conselhos de Administração (com repetentes comprovadamente incompetentes!), a manutenção de muitas situações do passado, um “novo” projecto para o “Novo Hospital” cheio de erros e com uma qualidade claramente insuficiente para as nossas necessidades, a fixação inexplicável na solução falhada das USF’s para os cuidados de saúde primários, o descalabro na gestão das listas de espera, o descontentamento da esmagadora maioria dos profissionais de saúde e os milhares de utentes a quem falta algo para a sua saúde, seja a dificuldade de marcar uma consulta, seja falta de medicação, demora na realização de exames ou cirurgias ou outra coisa qualquer, tudo isto serve para avaliar a nossa Saúde.

Dizer que está tudo bem na nossa Saúde é sinal de muita saúde pessoal: ainda há pouco tempo dois exames foram prescritos no hospital para serem feitos no privado, pois estava “tudo avariado no hospital”... Foram pagos centenas de euros! Para meu espanto, quem realizou os tais exames foram profissionais do nosso hospital. É isto que se pretende? É esta a Saúde que os madeirenses precisam e merecem? Obviamente: NÃO!