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O “meu” representante político

apresento algumas áreas em que gostaria de ver alguma mudança

A escolha de um tema de opinião nem sempre é fácil. Muitas vezes, entre tantos temas que temos a nível local, regional, nacional ou mundial, a decisão de escrever surge como um verdadeiro turbilhão de ideias. Tendo este aspecto por base, é indissociável que o interesse atual esteja centrado no dia 1 de outubro sobre a escolha dos nossos representantes políticos para os municípios onde residimos, desta forma, dotando-os da capacidade de decidir, por um período de tempo, sobre o rumo das nossas freguesias, dos nossos concelhos.

Todos nós temos uma opinião acerca das ações desempenhadas pelos nossos representantes em tantos temas, como: trânsito, uso de espaços públicos, tratamento de resíduos, crescimento da cidade, assistência social e dinamismo, ou não, do local onde vivemos.

A ideia inerente é que o representante político represente toda a comunidade, exercendo um mandato “livre”, em oposição a um mandato “vinculativo” a instruções ou objetivos próprios. Aqui também emerge uma pergunta: nós, os eleitores, muitas vezes, não selecionamos um representante que melhor entende ou representa os nossos interesses pessoais e imediatos? Nestes termos, este aspeto constitui uma das atuais fragilidades do sufrágio universal. A escolha deveria ser prioritária para os interesses gerais da comunidade e não para os interesses específicos de alguns dos seus grupos. O importante é saber escolher quem melhor entende o que nós precisamos enquanto coletivo!

Assim, apresento algumas áreas em que gostaria de ver alguma mudança:

- Simulacros ocasionais, treinos em catástrofe com zonas de apoio por freguesia, não ficando apenas e exclusivamente dependente do acesso ao “RG3”, pois o mesmo pode ser alvo dessas mesmas catástrofes;

- Desenvolvimento e conservação de mais áreas verdes, se possível, onde pudéssemos recuperar um espaço poluído ou abandonado, lembro, por exemplo, em São Martinho a “Prebel”;

- Aumentar o número de parques infantis para as nossas crianças; assegurar a sua segurança de agulhas e seringas contaminadas e correta manutenção;

- Definir áreas para animais e impedir assim que estejam em todo o lado, comprometendo segurança e higiene dos demais utilizadores;

- Pedir às nossas crianças que desenhem o que gostariam de ver nos seus parques;

- Desenvolver com a Secretaria de Educação um plano de participação ativa de todos os alunos, como plantar uma árvore por ano, com subsequentes visitas de estudo de acompanhamento; ensino da importância de políticas anti pesticidas. Gostaria de ver criado um verdadeiro mercado biológico, com regras e certificação, ou um espaço dedicado ao mesmo no nosso Mercado. O Mercado, no meu entender, deverá adaptar-se, mas deverá também conservar a sua mística e configuração antiga.

- Com as múltiplas freguesias e voltado para um envelhecimento ativo, gostaria de ver ser desenvolvido um verdadeiro programa de envelhecimento positivo e um programa de voluntariado, devidamente certificado, com definição de locais onde poderia ser desenvolvido um programa de sorriso, de conversa, diminuindo a solidão e favorecendo a compreensão dos jovens perante a situação dos idosos.

- Permitir e aumentar a correta emissão de licenças a guardas vigilantes para melhorar a segurança noturna da nossa cidade.

- Em múltiplas zonas, de forma estratégica, criar placas de cimento em branco para que haja expressão e criatividade dos jovens, diminuindo, assim, a existência de grafitis em muros.

- Explicar e definir como prioritária a recuperação de prédios; facilitar através de uma linha de crédito, se necessário, que os donos possam pintar os prédios de forma a mantê-los sempre limpos.

- Nos caixotes de lixo, favorecer a criação de arte urbana, para reforçar a sua presença e estimular a proteção ambiental. Associar também a cada contentor uma zona de metal para apagar os cigarros antes de colocá-los no seu interior.

- Revitalizar os nossos becos. Por mais antigos que sejam ou que tenham conjuntos de pessoas com formas diferentes de ver o mundo, para facilitar o seu reconhecimento e posteriormente a sua aceitação pitoresca.

- Relativamente às nossas ruas: melhorar as zonas de passagem, principalmente onde estão os nossos turistas, ter mais flores, mais presença da natureza, por exemplo, flores plantadas em redor das árvores dos passeios. Aumentar o número de locais para as pessoas se sentarem, de preferência junto a locais com sombra ou próximos de marcos relevantes.

- Com a correta utilização das redes sociais e plataformas informáticas, por freguesia, favorecer por um lado a colocação de imagens e apontamentos deliciosos do nosso dia a dia, mas também funcionar com uma área para facilitar o alerta a entidade camarária para actuações mais céleres – exemplo derrames de água. Relativamente ainda à área informática, devemos aumentar a zona Wifi do Funchal, para troca de informação com os nossos turistas, permitindo a publicidade das nossas empresas, semelhante ao que verificamos nos aeroportos.

- Desenvolver uma competição, com prémio, entre freguesias em termos literários, desportivos e até em jardinagem. Criar a figura do jardim mais bonito/ jardim de casa mais bonito; varandas mais bonitas e livres de equipamentos ou utensílios.

- Estimular o Funchal! Dou como exemplo que as pessoas de cada freguesia tenham a possibilidade de demonstrar os seus talentos e premiar os melhores;

- Reforçar a iluminação em áreas de maior preocupação, por exemplo, o Jardim Municipal e o Parque de Santa Catarina. Iluminar os nossos monumentos e os prédios considerados classificados.

Finalmente, depois destes temas aqui expressos por este eleitor, deixo um apelo a quem seja o nosso representante municipal: divida a sua actuação em múltiplas áreas, mas tenha em atenção o futuro, pois quem realmente interessa são as nossas crianças. Não esqueça porém que quem mais precisa de si são os nossos idosos.