Que pena!

Não adianta dizer mal por dizer. Adianta apresentar soluções para o que está mal fique melhor. Vem isto a propósito da iluminação inaugurada no passado dia 1 de Dezembro, no Funchal. Acredito que para um estrangeiro se trate de um espetáculo bonito e único mas para o madeirense com memória de 20 anos é uma desilusão. As luzes são fracas, desmaiadas, sem brilho. Um amontoado de lâmpadas foscas foram espalhadas pela cidade, sem critério. As praças emblemáticas estão escuras, sem chama, sem alegria, sem os motivos dos cada vez mais saudosos anos em que havia espírito, um propósito, uma simbologia expressa na cidade. Sobre as nossas tradições, sobre as imagens do Natal. As lâmpadas enchiam de cor e de luz. Passear no Funchal era um bálsamo, um sonho transformado em quadros garridos que nos transportavam ao mundo imaginário tão típico da época. Não se percebe como se pode fazer tão mal feito. O cais está triste, arcaico. As lâmpadas das árvores dão uma luz mais fraca daquela que é oferecida pelas gambiarras lá de casa. Não se percebe a mensagem, a lógica destas iluminações. É uma pena que assim seja. Que saudade das antigas iluminações criadas por Manuela Aranha! Da luz emanada de cada galho de árvore. Das caravelas na Pontinha, do corredor de luz que percorria a Avenida do Mar, dos arranjos lindíssimos que enchiam a rua João Tavira, a Fernão Ornelas, Aljube. O Sol gigante luminoso, as estrelícias, os vilões, os anjos. Algo vai mal na conceção do maior cartaz turístico da ilha. Não é preciso muitos estudos nem muita ciência para dar cor à cidade. Basta bom gosto e alguma criatividade. Ou então consultar o que se veja há uns anos atrás e copiar.