Turismo do Centro diz que é “inqualificável” ter ficado de fora de reunião com ministros

24 Out 2017 / 15:13 H.

O presidente da Turismo do Centro considerou hoje “incompreensível e inqualificável” que a entidade regional tenha sido excluída da reunião de segunda-feira, em Vila Nova de Poiares, entre o Governo, autarcas e agricultores dos concelhos atingidos pelos fogos.

“Este Governo precisa de ser chamado à atenção: no trabalho que está a ser feito na auscultação às pessoas, para avaliar a dimensão dos estragos, o turismo não pode ficar de fora”, avisou Pedro Machado, em declarações à agência Lusa.

O responsável pela Entidade Regional lamenta que o Turismo do Centro “não tenha sequer sido convidado” a participar na reunião de Vila Nova de Poiares, que contou com as presenças dos ministros da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, e do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.

“O turismo não pode ficar de fora das prioridades do Governo. É incompreensível e inqualificável que a Turismo do Centro não tenha podido participar na reunião” reforça Pedro Machado, adiantando que, num primeiro levantamento dos estragos dos incêndios de dia 15, há “quatro dezenas” de empreendimentos turísticos total ou parcialmente destruídos pelas chamas no Centro do país.

O presidente da Turismo do Centro elogia a decisão tomada no Conselho de Ministros de sábado de avançar com apoios à reposição da atividade turística e aos empresários do setor afetados pelos incêndios, mas considera que o conjunto de medidas “pode revelar-se insuficiente”, tendo em conta a dimensão dos estragos.

“São valores que podem ficar aquém das reais necessidades, atendendo que há municípios que não estão abrangidos pelo Programa Valorizar para a Dinamização Turística do Interior”, revela Machado, dando como exemplo alguns concelhos do litoral que foram seriamente afetados pelas chamas: Mira, Vagos, Marinha Grande, Aveiro e Albergaria-a-Velha.

Na segunda-feira, o Governo relembrou em comunicado da secretaria de Estado do Turismo que o Conselho de Ministros de sábado avançou “com um conjunto de medidas que visam apoiar a reposição da atividade turística e apoiar os empresários afetados de modo a contribuir para um rápido restabelecimento da atividade na região [Centro].

A principal medida é a duplicação do orçamento do Programa Valorizar para a Dinamização Turística do Interior, passando de 30 para 60 milhões de euros, acompanhada pela ativação da Linha de Apoio à Tesouraria, “para fazer face a situações de quebras de reservas e de necessidade de fundo de maneio e que é atribuída diretamente pelo Turismo de Portugal, sem necessidade de recorrer à banca”.

Outra medida saudada por Pedro Machado é a isenção do pagamento das contribuições para a Segurança Social para as empresas e trabalhadores independentes, durante um período de seis meses, cuja atividade tenha sido diretamente afetada pelos incêndios”.

No caso específico do turismo, também as empresas que tenham sido indiretamente afetadas pelos incêndios têm um período de seis meses de diferimento no pagamento de contribuições à Segurança Social.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

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